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A Estrutura dos 7 Atos e os Filmes Feitos Para a TV

27.02.2016

 

No início existia o Roteiro. Uma história com começo, meio e fim. Era maravilhoso. Um tempo onde o mundo era mais simples. Isso porque quanto mais o roteirista se aprofunda no ofício e no mercado, mais ele descobre que um roteiro não é tão universal quanto pensava.

 

Além do clássico modelo estrutural de longa-metragem, que aprendemos como padrão nos cursos, são na verdade o modelo para longas de Cinema. Quando o filme é feito e planejado para ser exibido diretamente na TV, a estrutura de três atos acaba não funcionando tão bem. O filme perde o ritmo e fica quebrado.

 

Você já assistiu a um filme na TNT ou no Universal Channel? Já reparou que as cenas são interrompidas, as vezes na metade para os comerciais? Já se irritou com isso? Isso porque o roteiro de cinema não foi feito nem planejado para ter 6 blocos de intervalos comerciais. No cinema, a história flui continuamente, já na TV, todo o trabalho de ritmo do escritor e todo o trabalho do diretor para envolver o espectador são perdidos quando você têm que sair da história a cada 12 minutos para assistir a 4 minutos de intervalos comerciais.

 

Não adianta reclamar. Publicidade é o que sustenta a TV e é essa publicidade que vai pagar o seu cachê. Então ao invés de remar contra a corrente, tente usar a realidade do mercado ao seu favor. Um longa-metragem feito especialmente para a TV, tem orçamento baixo, que vai desde alguns milhares a um ou dois milhões de dolares no máximo. Com esse orçamento, é fácil recuperar o investimento através de publicidade, contanto que eles tenham muitos slots para comerciais a cada intervalo.

 

Para melhorar a otimização entre história e publicidade, surgiu a estrutura de 7 atos. Esse modelo estrutural é usado até hoje em todas as produções de longas para a TV. Aqui, na América do Norte, existe a expressão Movie of the Week (MOW, ou Filme da Semana). Essa expressão foi criada pelo canal Hallmark, o primeiro a investir pesado nesse tipo de produção.

 

Um MOW normalmente é focado em personagens. São filmes dramáticos, com conflitos e plot envolvente. Têm como característica o aspecto “genérico” da produção, que por ter baixo orçamento, procura soluções dentro da indústria da TV. Boa parte dos filmes feitos para a TV são baseados em histórias reais de superação. São filmes que provocam um sentimento bom no público. Muitos. Com certeza você já assistiu a um MOW na sessão da tarde ou no Super Cine.

 

A estrutura de 7 atos foi criada para poder acomodar os 6 blocos de intervalos comerciais com o mínimo de impacto possível na história.

 

ATO I – Introdução. 20 Paginas.

No primeiro ato, se apresenta o protagonista e logo de cara mostra como sua vida está desbalançeada. O Incidente Inicial pode aparecer a partir da terceira cena e segue com as primeiras complicações. O primeiro ato é o mais longo de todos e serve para fisgar o telespectador e impedir que ele mude de canal, por isso, essas 20 páginas devem ser Ouro. Um personagem forte, um conflito real e um antagonismo claro sçao os elementos fundamentais que você deve estabelecer nessas 20 páginas.

 

ATO II – Complicações. 15 páginas.

Aqui você desenvolve e aprofunda o conflito e as complicações. O protagonista se dá conta que a coisa é mais séria do que parecia inicialmente. Ao final dese ato, Um gancho para o próximo.

 

ATO III – Desafios. 15 Páginas

Aqui você executa a premissa e o tema dramático da história. Seja qual for o tema do seu filme, essa é a hora de explorá-lo. Nesse ato deve ficar claro para o espectador qual a questão dramática que o filme se propõe a responder. Esse ato deve terminar com uma grande reviravolta, fazendo a história mudar de direção. Essa reviravolta marca o intervalo de 1 hora de filme.

 

ATO IV – Aumentando a Tensão. 12 Páginas

Os efeitos da reviravolta e o que a protagonista está fazendo para se adaptar a nova realidade. Os desafios aumentam e há mais coisa em jogo. A partir daqui não há mais volta. Esse é o ponto sem retorno.

 

ATO V – Aumentando Ainda Mais a Tensão. 12 Páginas

Depois do ponto sem retorno é hora do tudo ou nada. A protagonista deve embarcar de cabeça e apostar tudo para tentar superar seus obstáculos. Ao mesmo tempo em que o Antagonista cresce e se torna mais poderoso.

 

ATO VI – A Falsa Derrota. 10 Páginas

Ao final desse ato, A protagonista está derrotada. Esse é o momento do confronto final com a forçca de antagonismo. É onde todas as tramas se juntam e se amarram em uma só.

 

ATO VII – O Címax. 10 Páginas.

O pico dramático da história. É aqui que o TEMA do filme entra em ação. As respostas que o protagonista não enxergava no início, agora ficaram claras para ele. A Resolução fica para as duas últimas cenas. O filme termina rápido para deixar o espectador com o sentimento bom, sem a necessidade de mais delongas sobre o que vêm depois.

 

Vamos as contas.

 

Ato I …...........................20

Comerciais........................4

Ato II...............................15

Comerciais........................4

Ato III.............................15

Comerciais........................4

Ato IV.............................12

Comerciais........................4

ATO V.............................12

Comerciais........................4

ATO VI...........................10

Comerciais........................4

ATO VII..........................10

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TOTAL 118

 

Com uma margem de erro, você pode perceber que o formato se encaixa perfeitamente no slot de 2 horas que um canal de TV reserva para um filme.

 

O segredo é manter o espectador grudado na história, usando ganchos ou cliffhangers no final de cada ato, assim como um bom autor faz em um romance.

 

Filmes direto para a TV são uma excelente porta de entrada para roteiristas iniciantes, por se tratar de produção de baixo risco. Tudo o que você precisa é provar que entende e domina o formato e a estrutura de um MOW, que tem uma sólida fundação em história e personagens e que sabe traduzir sentimentos e emoções em palavras.

 

Usando essa estrutura, você pode criar o seu próprio MOW para o seu portifólio. Escreva, Revise, Edite, Receba Feedback Profissional, traduza e envie para as produtoras.

 

As produtoras de MOW americanas e canadenses estão sempre em busca de roteiristas não sindicalizados (Non-Union), mas que dominem o ofício. Por se tratar de uma porta de entrada, não espere muito dinheiro por um roteiro. Principalmente se for o seu primeiro roteiro vendido. No caso de MOW, se for o seu primeiro trabalho vendido, não espere receber mais do que dois ou três mil dólares pelo roteiro. Lembre-se que no início você quer trabalho. O aumento no cachê vai te acompanhar no seu crescimento como roteirista, não se preocupe.

 

Depois de vender seu primeiro roteiro, você pode se filiar a sua respectiva Union (sindicato). No caso dos Estados Unidos, a WGA (Writer's Guild of America), no caso do Canadá, a WGC (Writer's Guild of Canada).

 

E aí? Se animou em escrever um MOW e tentar um espaço na indústria de Tv americana? Deixe sua opinião, comentário ou crítica construtiva na fanpage do Roteirista Empreendedor.

 

E se você ainda está dando os primeiros passos, Adquira já o seu ebook Roteirista Empreendedor, que é o primeiro passo que você precisa em busca do seu sonho de se tornar um roteirista profissional.

 

Até a próxima.

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