ROTEIRISTA

EMPREENDEDOR

Quanto Ganha um Roteirista Iniciante?

24.10.2016

 

Depois do post sobre a tabela salarial para roteiristas profissionais da ABRA, recebi uma enxurrada de e-mails perguntando quanto ganha um roteirista iniciante. Começar em uma profissão é difícil em qualquer área, e o roteirista não é diferente. Iniciar uma carreira profissional é como abrir uma empresa: é um tiro no escuro, a menos que você saiba o que está fazendo.

 

Viver de roteiro é como viver de música, se você tem um amigo que vive de música, pergunte a ele como foi no início. É preciso um investimento inicial pesado, não só financeiro, mas emocional também.  Quem escolhe viver de música, é porque ama a profissão e não se enxerga fazendo mais nada, e isso vale todas as lágrimas e todas as derrotas, porque tudo o que ele precisa é uma chance para realizar todos os seus sonhos.

 

Roteiristas gostam de pensar que são especiais, especialmente os brasileiros. Acreditam que o mercado para roteirista no Brasil é bem mais difícil do que os de outras áreas. Se consideram injustiçados, vítimas de um sistema que não lhes dá oportunidade. Se você pensa assim, se prepare para pegar esse pensamento e jogar no lixo a partir de agora. Nós não somos especiais, somos artistas como tantos outros. Músicos, poetas, pintores, escultores, como será que esses profissionais começaram? Se viver de arte fosse impossível, não existiriam artistas. Simples assim.

 

No entanto, qualquer roteirista minimamente interessado em se profissionalizar, acompanha e consome o mercado. Por isso, já deve estar ciente que o audiovisual brasileiro está fervilhando com novos nomes e novos talentos. Só não vê quem não quer. Como será que esse pessoal começou?

 

Por isso, aceite o desafio, se é que é isso mesmo que você quer da vida.

 

Nos primeiros anos, você vai literalmente viver de paixão, isso porque você mesmo deve fazer o investimento inicial. Ninguém vai lhe pagar para escrever o seu próprio portfólio, esse tempo e energia você deve estar disposto a investir. Você só se torna profissional quando vende seu primeiro roteiro, o valor desse primeiro trabalho é simbólico. Não adianta querer ir com muita sede ao pote. É preciso ter paciência e saber que somos nós, os roteiristas que temos que provar o nosso valor, e enquanto esse valor não puder ser contabilizado, fica impossível se profissionalizar. 

 

Com um portfólio sólido, é hora de ganhar alguns prêmios. Se você é novo no circuito de festivais, não vá direto pensando em Cannes ou Sundance. Festivais grandes são para roteiristas prontos que escrevem a nível profissional. Procure festivais menores, de preferência aqueles que estejam de acordo com o gênero do seu portfólio, aquele que você tem mais chances de ganhar. Esse investimento de inscrição em festivais, você também vai ter que fazer.

 

A essa hora você deve estar pensando, "Só tive prejuízo até agora". Lembra do músico? Aquele que tem que conseguir uma banda, comprar instrumentos caros, pagar estúdio e gravar as próprias músicas com qualidade profissional? pois é. Se você não investir na própria carreira, ninguém mais vai.

 

Uma vez que seu portfólio esteja pronto, é hora de procurar o primeiro trabalho. Aí vem a primeira pergunta, como? Quanto eu posso cobrar pelo meu primeiro roteiro profissional?

 

não importa o quão bom você seja, até você provar o seu talento, o mercado vai te enxergar e te tratar como um amador. Muitos pensam que vão ganhar milhares de reais pelo primeiro roteiro, mas a verdade é que você vai ganhar o tanto quanto o seu primeiro cliente possa pagar. Faz sentido?

 

Vamos ser mais específicos.  Você é quem precisa preencher seu currículo e é do seu interesse conseguir a primeira experiência profissional, por isso você é quem vai correr atrás. Não importa o quanto você ganhe nesse primeiro trabalho, o importante é que você cobre pelo seu serviço. Ninguém se torna profissional trabalhando de graça. 

 

Depois de conseguir o primeiro trabalho profissional, é hora de ter um plano. Se esse primeiro trabalho tenha sido bem feito, a coisa fica mais fácil, mas não se surpreenda se você precisar fazer mais de um job nesse esquema, Tudo depende do tipo de profissional que você é.

 

Mas aí vem a hora de começar a cobrar um preço justo pelo seu trabalho. Mas qual é o preço justo?

 

Ao invés de criar valores arbitrários, eu sempre procurei entender quanto eu preciso ganhar para sobreviver. Para isso, temos que colocar os valores no papel.

 

Basicamente, você tem um custo de vida que é igual a "X" por mês e como todo serumaninho você precisa morar, comer, se locomover, etc. A primeira coisa é fazer essa conta e colocar todos os seus gastos no papel. Pense que você está fazendo um orçamento para o filme, a idéia é conseguir cortar os gastos até o mínimo necessário, pelo menos no início. Assim que você definir o valor de "X", você passa para a próxima etapa.

 

Agora que você sabe quanto você precisa ganhar pra terminar o mês sem dinheiro, é hora de adicionar suas "folgas". Assim como qualquer trabalhador, você vai criar uma rotina de trabalho, e vai se dar uma folga por semana.  Vamos chamar essa folga de "Y", onde "X/30 = Y", no caso, Seu custo mensal dividido por 30, é igual ao seu custo diário médio. Somando-se quatro folgas em um mês, isso totaliza em quatro diárias. Some esse valor ao seu "orçamento" e agora você tem quatro folgas pagas por mês, já não termina mais o mês zerado. Oba!

 

Agora é hora de saber quanto tempo cada job vai demandar. Um episódio de TV pode levar entre 6 a 9 semanas para ficar pronto, enquanto um roteiro de longa pode tomar entre 2 e 6 meses. Um comercial de TV pode ser feito entre 2 e 4 semanas, um vídeo pro youtube pode ser feito em um dia, tudo depende de qual a sua mídia e o quanto você se dedica a ela.

 

Um roteiro vai demorar dois meses para ficar pronto, e digamos que seu custo mensal seja de 2 mil reais. 4 Mil é o valor desse roteiro. A conta é bem simples. 

 

Existem variáveis nesse valor? A resposta é sim. Cada negociação é diferente da outra e cada contrato é único, porém, algumas cláusulas contratuais são comuns, como por exemplo:

 

- O roteiro demanda 2 meses de trabalho, porém o cliente te dá 4 meses de prazo, o que alivia a sua carga de trabalho e lhe permite pegar outros jobs nesse meio tempo. Essa cláusula de não exclusividade, permite ao roteirista administrar mais de um projeto simultaneamente, de acordo com sua capacidade. Isso faz o valor do roteiro baixar cerca de 30%.

 

- O cliente tem pressa, e só te dá um mês de prazo para entregar o mesmo roteiro. Com a deadline menor, o volume de trabalho aumenta, bem como o valor final do roteiro, em cerca de 30%.

 

O roteirista vai aprendendo com cada trabalho e constrói um relacionamento profissional com os seus clientes, que vão procurá-lo no próximo job e indicá-lo para os colegas. Com consistência, vêm o valor. Quanto mais clientes satisfeitos você tiver, maior vai ser o seu cachê. Quanto mais prêmios você ganha, maior o seu cachê. Quanto mais confiança o mercado depositar em você, maior o seu cachê.

 

No fim das contas, viver de roteiro requer uma verdadeira paixão pela escrita, dedicação e paciência, mas nada que impossibilite a profissionalização. Mais uma vez, roteiristas não são especiais. Todos os que vivem de arte enfrentam os mesmos obstáculos no início e aqueles que conseguem são os que investem tudo na profissão.

 

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