ROTEIRISTA

EMPREENDEDOR

Entrevista com Diego Tavares, Vencedor do Globo Lab.

02.11.2016

 

No início do ano eu escrevi um artigo sobre o Globo Lab e toda a polêmica em torno dos direitos autorais e patrimoniais na época. Esse artigo você pode ler AQUI.

 

Ao esclarecer a diferença entre direitos autorais e patrimoniais, fui acusado de ser "comprado", de receber dinheiro da globo para falar bem do Globo Lab. Não me entendam mal, se a globo me oferecer dinheiro para falar do Globo Lab, eu vou aceitar e vou falar, mas não vou defender e nem fazer campanha para algo que eu considere injusto.

 

O que acontece, é que muitos aspirantes a roteiristas brasileiros, principalmente os de facebook gostam muito de se vitimizar, de dizer que não existe oportunidade e que são injustiçados. As oportunidades existem para aqueles que correm atrás.

 

Pois bem, o Globo Lab não só aconteceu, como teve um vencedor que vai ter o projeto transformado em série. A Globo disponibilizou um vídeo de bastidores para mostrar como foi o processo. você pode assistir e acompanhar por AQUI.

 

E para trazer uma visão mais direta e pessoal para a questão, eu tive o prazer de conversar com o vencedor do Globo Lab Diego Tavares, que terá seu projeto "Saideira" transformado em série.

 

 

Diego não caio do céu, nem brotou do chão, por trás dele existe toda uma jornada que o trouxe até aqui, e pela mentalidade dele, ainda é só o começo. Ele manda o papo reto de quem tem o pé no chão e a cabeça na meta. Um verdadeiro Roteirista Empreendedor.

 

ROTEIRISTA EMPREENDEDOR - Conta um pouquinho da sua história, Quem é você e de onde você veio?

 

DIEGO TAVARES - Me formei em Jornalismo, mas no meio da faculdade decidi mudar de caminho. Fiz alguns cursos livres, sempre focado em roteiro. Produzi curtas e um piloto de websérie com amigos. Nesse ano participei da equipe de roteiro do programa Ceará Fora da Casinha e minha idéia de websérie foi escolhida como vencedora do GloboLab.

 

RE - Como você ficou sabendo do GloboLab? Você já tinha um projeto na manga ou criou algo específico para a competição?

 

DT - Vi em algum post no Facebook. O Saideira foi criado especificamente para o GloboLab. Eu tinha outros projetos pra web e pra TV, mas nenhum se encaixava tão bem com a proposta do concurso.

 

RE - Houve toda uma polêmica envolvendo direitos patrimoniais do Globo Lab na época do lançamento, isso te afetou de alguma forma?

 

DT - Não afetou. Sempre achei exagerada a repercussão desse caso e certamente não era um motivo para não participar. “Ah, mas se eu inscrever uma ideia e não for selecionado pro GloboLab, eu não vou poder produzir/inscrever em outro concurso”. Pois é. Cria outra série e bola pra frente. Ou cria uma ideia especificamente para este concurso. Roteirista vive de idéia, se você se prender só a uma não vai dar muito certo. Vai ter projeto que vai dar certo e projeto que vai morrer sem nem nascer. Pra mim, isso é a natureza da profissão. Se eu não tivesse sido selecionado entre os 20 eu estaria satisfeito por ter criado um novo projeto - só o exercício de ter sentado e desenvolvido o projeto era algo que valia a pena, de qualquer forma eu estava praticando. E bem, se tivesse sido escolhido, obviamente já vale a pena só de estar lá durante a semana de workshops na Globo.

 

RE - Durante muito tempo os brasileiros acreditavam que o audiovisual pertencia a uma “panelinha” fechada. Como você enxerga o momento atual do mercado nacional?

 

DT - Isso volta um pouco na pergunta anterior. Algumas pessoas preferiram repercutir o GloboLab pela questão do regulamento. A manchete pra mim era que a Globo estava se abrindo para novas experimentações, e acho isso bem importante no cenário do audiovisual atual. Significa que o maior player do mercado está se abrindo e atento ao que está acontecendo e novas possibilidades. Me parece que isso é sintoma de um período de efervescência e renovação, com as produções nacionais na TV a cabo, as novas plataformas de distribuição de conteúdo. Tem um lado bem interessante ver a indústria audiovisual mudando e estar no início disso.

 

RE - Seu projeto “Saideira” ganhou os jurados. O que você considera que é o diferencial desse projeto?

 

DT - Foi bem apertado. Tinha muito projeto legal entre os 20. É difícil falar. Acho que o projeto se encaixava muito bem na proposta de formato de série pra web, no conceito, situações, personagens. Também faz diferença que era uma ideia possível de ser produzida (a série toda se passa em um cenário). A possibilidade de realização não é um determinante, mas com certeza conta.

 

RE - A pergunta que todo mundo faz: é possível viver de roteiro no Brasil?

 

DT - Não é fácil, mas é possível. É complicado achar um caminho e pode demorar pra transformar essa vontade em uma forma de ganhar dinheiro. Não só pelo mercado, acho que é normal demorar um pouco pra sua escrita amadurecer. É preciso praticar bastante, escrever, reescrever, produzir, ficar envergonhado vendo o que produziu, repensar se vale a pena continuar nesse caminho, se arrepender de ter largado o emprego pra entrar nessa, ser zuado pelo grupo de amigos por ser o vagabundo do grupo que não tem um emprego de verdade e fica vendo série em casa o dia inteiro, chorar baixinho quando tá sozinho no cinema terça de tarde vendo um filme muito bom e pensando “meu Deus, eu nunca vou conseguir fazer isso”... eu me perdi um pouco, peraí. O que eu to querendo dizer é que quem quiser ir por esse caminho tem que saber que as coisas podem demorar um pouco. Comigo demorou cinco anos pra eu ganhar dinheiro escrevendo. Mas a sensação foi bem boa quando finalmente aconteceu.

 

RE - Cinema ou TV? O que te atrai mais como roteirista? E como espectador?

 

DT - Como espectador eu gosto de qualquer formato que tenha boa comédia. Minha maior vontade profissionalmente é desenvolver uma série de comédia para TV, porque é onde eu acho a experiência de criação e desenvolvimento de personagens mais interessante.

 

RE - Qual a mensagem que você manda para os aspirantes que sonham e viver de roteiro?

 

DT - Escreve o que tiver vontade e o que for verdadeiro pra você. Não pensa no que pode agradar mais o público ou fazer mais sucesso (não no primeiro momento, pelo menos). Confia no processo. Produz o máximo que conseguir. Arruma uma galera que queira produzir o mesmo tipo de coisa que você, produzir as coisas em grupo é sempre melhor que sozinho (Gehrard e Gabriel, amo vocês). É bom assistir de tudo mas acho mais importante reassistir as coisas que você gosta e que te inspiram até você internalizar conscientemente ou por osmose. Veja entrevistas dos diretores e roteiristas que você admira. Ouça conselhos de alguém que tem mais propriedade sobre esse assunto que eu. Use filtro solar. Mas principalmente o lance de ouvir conselhos de alguém que tem mais propriedade sobre esse assunto que eu.

 

 

 

 

 

Please reload

O MELHOR PONTO DE PARTIDA

PARA NOVOS ROTEIRISTAS

Contato

Av. Bernardo Vieira de Melo, 2143 lj 07 

cxpst 023, Jaboatão dos Guararapes-PE

54410-010

roteiristaempreendedor@gmail.com

  • Branco Facebook Ícone
  • Branco Twitter Ícone
  • Branca Ícone Instagram

© Copyright 2015 Roteirista Empreendedor

Labonia Photo & Video LTDA. - www.roteiristaempreendedor.com

Contato Imprensa e Apoio - roteiristaempreendedor@gmail.com