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Como é a Vida do Roteirista Profissional?



para estrear o novo design, vou responder uma pergunta que recebi através do novo site, pois creio que é a mesma dúvida que todo mundo tem.


A Auana é de Brasília e me mandou uma mensagem através do formulário do site. Eis a pergunta dela.


"Olá Bill, tudo bem? Sou redatora publicitária há 13 anos e agora quero me arriscar em uma nova área que é o roteiro para cinema. Tenho algumas ideias na caixola, mas ainda estou muito perdida em relação a livros, cursos, softwares.... Comprei dois livros do Robert Mckee, o Story e o Dialogue e baixei um software gratuito que não lembro o nome agora rs (e ainda não consegui usá-lo). Moro em Brasília e sei que curso bom de roteiro só em SP mesmo com o José Carvalho. O que vc me sugere? Tem como me ajudar? Outra coisa que gostaria de saber é como é o dia a dia de um roterista? Sei que vc mora em Vancouver... como é a questão dos horários? Como são os deadlines? Trabalha muito e vive pouco rs? Pq na publicidade é assim...rs Mas isso me incomoda um pouco porque agora tenho uma filha.... No mais é isso... se puder me ajudar ficaria imensamente agradecida! Muito obrigada! Abs, Auana"


Depois que li essa mensagem, fiz questão de parar tudo para vir responder, porque realmente essa é uma dúvida recorrente e eu já estou devendo esse posta faz tempo. Sendo assim, vamos lá.


Como é a vida do Roteirista Profissional?


Antes de começar, é bom deixar registrado que eu falo apenas por mim e pelos colegas que conheço e acompanho pessoalmente. Outros roteiristas podem ter experiências vagamente diferentes, dependendo do tipo de mídia que escreve e dependendo também do tipo de roteirista que você é.


Na minha carreira, tudo aconteceu bem devagar. Pra quem me conhece só de agora não sabe que eu entrei nessa indústria em 2005, quando morava no Rio de Janeiro. Eu cursei o curso de cinema da Estácio de Sá e até hoje guardo muitos amigos dessa época, poucos continuam na área, a maioria desistiu.


Essa é a primeira grande característica que mostra que você está no caminho certo, quando seus colegas começam a desistir da carreira e você continua ali, firme e forte.


De lá pra cá eu passei por Los Angeles, Recife, Rio e acabei aqui em Vancouver. Encontrei aqui, na Vancouver Film School uma oportunidade de me especializar no que eu realmente gostava.


Durante toda minha carreira eu achava que queria dirigir, mas acabei me dando conta que o que eu realmente gosto de fazer é escrever, criar histórias, personagens, diálogos, e foi isso que eu aprendi na VFS.


Minha vida foi bem parecida com a de todos os roteiristas independentes. Estudando, trabalhando com qualquer coisa e nas horas vagas tentando criar alguma coisa decente. Só que todas as minhas tentativas de ter um emprego normal e conciliar com a carreira de roteirista falharam miseravelmente. Isso porque escrever demanda tempo, coisa que um funcionário full time não tem.


Minha carreira só deslanchou quando eu me posicionei como profissional e disse a mim mesmo que se é pra ser roteirista, então é isso que eu vou ser. Comecei a me dedicar em tempo integral ao meu portfolio, sempre inscrevendo em festivais e concursos de renome internacional. Quando os prêmios começaram a chegar, as portas começaram a se abrir.


O prêmios me renderam espaço na mídia. fui chamado para entrevistas e participações no rádio e na TV e depois disso os clientes começaram a me procurar, e foi aí que eu percebi algo que mudou a minha visão do mercado para sempre.


Ao contrário do que muitos pensam, O mercado é MUITO CARENTE de bons roteiristas. Esse foi o motivo pelo qual os clientes passaram a me procurar. Viram em mim uma alternativa DIFERENTE daquilo que já existe e no mercado, o que todo mundo quer é justamente isso: se destacar. Buscar o seu diferencial.


A grande questão é que ninguém, muito menos no Brasil, pode se dar ao luxo de investir em um reles desconhecido. Eu só comecei a ser considerado e levado a sério, depois que tinha alguns prêmios debaixo do braço, porque é aí que o cliente vê que você dá conta do recado. O risco é menor porque ele já sabe que meu trabalho já foi posto a prova e saiu por cima.


E é isso que muitos roteiristas esquecem de levar em conta. Ninguém é obrigado a correr risco te contratando. VOCÊ é que deve provar para o mercado que sabe o que está fazendo, que dá conta do recado. Você é que deve colocar seu trabalho a prova e sair por cima.


É isso que um prêmio de roteiro significa. E foi assim que eu consegui meu primeiro job profissional. De lá pra cá eu já fiz bastante coisa. escrevi um livro, lancei este blog, fui convidado para levar um workshop de roteiro pelo Brasil, fui convidado pela VFS para ser embaixador da escola no eu país. Hoje escrevo para TV e Games, vivo do que eu gosto e - modéstia a parte - sou muito bom no que eu faço, mas eu preciso me dedicar 100% a minha profissão e quem pensa que é fácil, está enganado.


A rotina é como a de qualquer emprego comum. Eu acordo cedo, pois devido ao meu fuso horário, quando eu acordo o Brasil já está na metade do expediente, por isso logo de manhã minha caixa de mensagens já está lotada. Começo meu expediente respondendo mensagens, e-mails, pedidos de orçamentos, de tradução, script doctor, somando isso as mensagens do grupo e que recebo através do site. Entre clientes e seguidores, esse é o turno da manhã.


Depois do almoço é que começo o trabalho pesado. Começo a escrever com ou sem inspiração. Se não tiver com cabeça para escrever, releia o que escreveu ontem, releia tudo, exaustivamente. Pesquise na internet, leia livros, artigos, tire suas dúvidas, aprenda. ESSE É O SEU TRABALHO. Se você não escreve porque está sem inspiração, ou por que está estressado, você não está fazendo um bom trabalho.


Quanto a Deadlines, tudo deve ser discutido na assinatura do contrato com o seu cliente. Quanto tempo você precisa para desenvolver isso? Quanto tempo o cliente tem pra te dar? Tem um meio termo pra chegar a um acordo? Se você tem filhos, provavelmente precisará de mais tempo, e isso no final deixa o trabalho mais barato. A Auana é publicitária e diz que as deadlines são apertadas. Eu acredito nela, porém a diferença entre um comercial de 30 segundos e um longa de duas horas é exatamente o tempo que demora para preparar cada um.


Cada roteirista, na hora que se propõe a ser profissional, deve se portar como tal, e só porque você não tem patrão, não significa que pode fazer o que quiser. Na indústria existem regras, leis, códigos e ética e todos são obrigados a seguir se quiserem jogar com os profissionais. Cumprir os prazos é a principal.


É preciso se comprometer a escrever X páginas em Y dias por $$. Sem discussão, sem choro, sem vitimismo. Na hora que você se porta como profissional, as pessoas te tratam como profissional. Mas não adianta ter só banca, tem que ter conteúdo pra mostrar. É preciso honrar os contratos e os acordos, mesmo os de boca e NUNCA entregar menos do que se propõe a fazer.


Minhas dicas são:


- Escreva todo dia.

- Seja ético.

- Participe de festivais.

- Cumpra os prazos.


Espero ter ajudado. Um forte abraço!


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