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Porque a grama parece mais verde no quintal do vizinho? O mercado brasileiro visto de fora.

02.05.2017

 

No meu trabalho eu conheço muita gente. Cada curso, cada aluno, cada seguidor é uma pessoa que busca informação e conhecimento de para entrar no mercado. Eu tenho a oportunidade de interagir com muitos jovens brasileiros, muitos estudantes e jovens que têm muita vontade, mas acabam esbarrando nos mitos criados por quem nunca realmente tentou fazer nada. Hoje nós vamos tentar entender o mercado brasileiro, porque o mínimo que se espera de uma pessoa que pretende trabalhar com cinema e TV no Brasil é o interesse e a pró-atividade de buscar informações e conhecer o próprio mercado. Se você chegou até esse artigo, parabéns!

 

Você já ouviu falar do ditado de que "A Grama é sempre mais verde no quintal do vizinho"? Já pensou por que é assim?

 

Vindo morar e trabalhar no Canada me permitiu olhar para o Mercado brasileiro sob um novo olhar. Pude conversar com profissionais canadenses e saber o que eles pensam sobre o mercado brasileiro e o resultado foi surpreendente.

 

Vamos colocar em perspectiva. Eu moro no Canada e aqui, assim como no Brasil, o mercado têm pontos positivos e negativos. O grande ponto positivo, é que metade de nós compartilha o mesmo idioma dos Estados Unidos e isso faz com que a troca cultural seja natural e inevitável. O idioma nos permite consumir os produtos americanos diretamente, sem a necessidade de intermediários, dublagens nem adaptações. Estados Unidos e Canadá foram ambos colonizados por ingleses, logo a essência cultural é bastante similar. Nós temos a Rainha no nosso dinheiro.

 

A grande desvantagem é que o canadá, apesar de ser um enorme país em área, é um país pequeno, populacionalmente falando. São apenas 35 milhões de habitantes. Pra se ter uma idéia é menos que o estado da Califórnia (39M). Isso significa que o principal problema da indústria canadense é a falta de público, logo, quase tudo que o canada produz é voltado para o mercado americano. Isso, na teoria parece bom, já que isso significa que o canada também absorve o público americano, cerca de 321 Milhões, certo? Errado! Na prática, o que acontece é que ninguém é melhor para criar conteúdo para o público americano do que os próprios americanos. Além do mais, a produção americana já domina o mercado e os maiores investidores, então quem tem dinheiro para investir em cinema prefere investir nos EUA do que no Canadá, isso é óbvio.

 

Ora, público é o que não falta no Brasil, já que somos um gigante de 207 milhões de pessoas e a maior parte dos canadenses adoraria ter esse tipo de público a disposição. O problema é que tanto o Brasil quanto o Canadá possuem aproximadamente o mesmo número de sala de cinemas, algo entre dois e três mil.

 

Percebe agora a discrepância? Como um país de 35 milhões têm a mesma quantidade de telas de cinema que um país de 207 milhões? Não faz sentido nenhum e isso é parte do problema.

 

Quando eu falo do mercado brasileiro para os canadenses, eles nunca entendem como nós brasileiros ainda não conseguimos industrializar nossa produção cinematográfica com a quantidade de habitantes que o país tem. O sonho deles é ter um público interno do tamanho que o Brasil tem. Pra eles nós estamos sentados em cima de uma mina de ouro.

 

Aí eu falo das nossas leis de incentivo e como, apesar de burocrático, é relativamente simples produzir cinema no país, com incentivo fiscal que permite que sua produção esteja 100% financiada desde a luz verde, ou seja, independente de bilheteria, todo mundo ganha.

 

Acredite em mim, nada é mais eficiente para nos fazer perceber nossas próprias falhas do que quando tentamos explicá-las a um estrangeiro. Percebemos que estamos tão viciados no nosso jeito de ser e pensar que acabamos perdendo a perspectiva real das coisas.

 

Claro, que eles sabem só o superficial, já que os problemas do Brasil são muito mais fundos que isso, começando com a renda per capita. A população brasileira, apesar de grandiosa, não é consumidora, já que grande parte da nossa população é pobre, muitas vezes iletrada que não conseguem acompanhar o nível de consumo de um mundo cada vez mais "gourmet". Some isso a quantidade de brasileiros considerados de classe média, mas que não consomem cinema por que não gostam, não tem costume ou porque não podem pagar.

 

Do outro lado, no Brasil, muitas pessoas, eu incluso, buscaram um caminho pelo mercado internacional e talvez esse seja o diferencial na perspectiva das coisas. Conseguir financiamento aqui no Canada é dificílimo a menos que você tenha um estúdio americano por trás, e se você tem ume estúdio americano por trás, quem precisa de financiamento, certo?

 

Produzir no Brasil está longe de ser impossível do jeito que o mundo quer que você acredite. Não existem "panelinhas", existem pessoas que fazem sem reclamar, que jogam seguindo as regras e alcançam resultados. É natural que parcerias que deram certo uma vez voltem a dar certo no futuro e se você acha que um produtor deve dispensar um parceiro de trabalho de anos para apostar em você, estreante, talvez seja o caso de perceber que o egoísta na história é você mesmo.

 

Não existe investimento sem lucro, e lucro no momento não é a palavra certa para descrever o cinema brasileiro. Nós somos dependentes de leis de incentivo por que não existem salas de cinema suficientes no país para exibir conteúdo, isso compromete a distribuição, uma vez que o mercado é inundado por obras americanas e o exibidor prefere exibir Vingadores do que um filme nacional. Isso porque cinema é business e não caridade. Se todo muito fizer sua parte certinho, todo mundo ganha no final, mas pra ganhar, é preciso primeiro FAZER e é aí que muita gente peca. Perdem tanta energia tentando MUDAR o mercado que se esquece que é ele quem tem que se adaptar.

 

Eu, mesmo morando no Canada, continuo com minha produtora operando no Brasil porque desde que eu me mudei pra cá eu percebi que a estrutura que nós já temos é a que os canadenses sempre sonharam e o público que nós temos é o que eles queriam, nos falta a vontade de investir em nós mesmos e não esperar algo de mão beijada de outra pessoa.

 

lembre-se que toda produtora começou com uma pessoa exatamente como você, que queria produzir, não conseguiu emprego e resolveu tomar as rédeas. Juntou uns amigos inspirados e começaram a fazer. É difícil, mas ninguém nunca disse que seria fácil.

 

Você pode conseguir tudo o que você deseja, mas tem que estar disposto a tomar as porradas.

 

 

 

 

 

 

 

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