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Mais Forte que o Mundo - Quando o Protagonista não Convence

17.05.2017

 

Ontem a noite, finalmente consegui assistir através da Netflix do Canada -- infinitamente pior que a brasileira -- o filme Stronger then the World, ou melhor, Mais Forte que o Mundo, a história de José Aldo. Escrito e dirigido por Afonso Poyart, de Dois Coelhos. Um mergulho na vida e na mente do maior campeão peso pena da história do MMA.

 

Afonso Poyart é o Zack Snyder brasileiro. Ele é um diretor excelente e sua capacidade de comunicação visual é fora do comum. Dois Coelhos foi um dos filmes mais divertidos dos últimos anos e o visual daquele filme é fantástico. Poyart sabe como explorar simbolismo, como ninguém e seus filmes são cheios de subtextos. Tudo isso faz ele ser um grande diretor, mas quando o filme passa a ser SÓ isso, existe um problema.

 

O filme que segundo o IMDB custou cerca de 6 milhões de Reais, teve um faturamento de bilheteria de apenas 550 mil. 

vamos tomar como referência o filme Dois Filhos de Francisco, que custou a mesma coisa, mas faturou 34 milhões, se tornando a maior bilheteria desde a retomada do cinema nacional.

 

Por isso resolvi desconstruir a história de Mais Forte que o Mundo para entender os motivos que deixaram o filme aquém da expectativa.

 

Sem um roteiro sólido como base, Aldo passa abaixo do esperado e não consegue dar substância a sua linguagem visual. O roteiro é raso e falha tanto em gerar o envolvimento emocional com o seu protagonista, como em entregar personagens e conflitos genuínos. Existe uma preocupação exagerada em bater certas teclas chave da vida de Aldo e faz com que a narrativa seja apenas um trabalho de ligar os pontos.

 

Aldo é interpretado por José Loreto, cuja única semelhança com o campeão aqui é a cicatriz falsa na bochecha. Tanto Loreto quanto o resto do elenco tiveram bastante dificuldades com esse texto. A única excessão aqui é Cléo Pires, que interpreta a esposa de Aldo, Viviane, que rouba todas as cenas em que participa. Todos os personagens são resumidos a uma única característica dominante, como a Hippie Fotógrafa, o pai bêbado, a mãe trabalhadora, o jovem perturbado... só que o filme não permite que nenhum deles se desenvolva além disso. Até o sempre excelente Milhem Cortez estava com o texto engasgado na garganta, cuspindo palavras de efeito, travado em um personagem unidimensional. Ironicamente, Rafinha Bastos está no filme e ele surpreendentemente não foi horrível -- Abraço Rafinha! -- em comparação com o resto do elenco, pelo contrário, Rafinha era um dos poucos que parecia estar confortável no set.

 

O problema é que o filme falha em vários momentos em mostrar Aldo como um personagem digno de empatia. Muito pelo contrário, o filme faz um esforço imenso para retrata-lo como um sociopata perturbado. O problema disso é que fica difícil torcer para um cara se você não consegue se relacionar com ele. O filme é anti-climático e não é por que nós já sabemos que Aldo é o campeão, mas porque não temos motivos para estar investidos na luta. Mais uma vez, Poyart se preocupa mais em ser documental do que em fazer um bom filme. O filme teve a oportunidade de mostrar ao grande público um novo ponto de vista do MMA, de envolver drama, tensão, e envolver a audiência emocionalmente. Lembram de Warrior, Creed, Rocky? Filmes que fazem você torcer e se investir no sucesso do herói. 

 

Poyart escolheu um caminho arriscado, o de tentar retratar a "batalha interna" do protagonista de forma visual, mas acabou por criar uma trama confusa, que quando finalmente se revela, ninguém está mais investido na história.

 

O que esse filme nos diz sobre o seu protagonista?

 

- Aldo se divertia vandalizando com os amigos em Manaus.

- Ele se revolta quando o pai bate na mãe, e sua reação é ser mais perturbado ainda.

- Ele vai trabalhar e fica com raiva porque o pai dele foi demitido porque claramente fez merda. Desconta a raiva nos outros.

- Totalmente desprovido de empatia, resolve tudo na porrada, ameaça bater na namorada em um momento, mostrando que está bem próximo de ser o próprio pai.

- Destrói a lanchonete onde trabalhava em uma briga que ele mesmo escalonou.

- Trái a namorada na própria casa. leva a amante para a luta com ele.

- Fica com raiva da namorada porque ela o avisa que o pai estava doente.

 

Eu poderia continuar, mas acho que já dei motivos o suficientes para mostrar que Aldo é na verdade o vilão do filme.

 

Agora o engraçado é que José Aldo é uma pessoa fantástica. Tive a oportunidade de conhecer ele e a Viviane em Recife e posso lhe afirmar que aquele na tela do filme não representa a pessoa real que eu conheci.

 

Estruturalmente, o filme tem seus atos bem definidos, o que mostra que Poyart entende a estrutura básica da narrativa cinematográfica. Seu filme é extremamente simétrico, no sentido de seus atos serem divididos em partes iguais. O filme tem duas horas, com meia hora de primeiro ato, uma hora de segundo ato e meia hora de terceiro ato. O segundo ato também é dividido em dois blocos de meia hora separados pelo Midpoint, aqui é quando Aldo perde sua primeira luta.

 

O clímax da luta não é tão climático assim, pois não existe envolvimento emocional de Aldo com a luta, nem com o esporte. O relacionamento que ele tinha com o pai foi fabricado artificialmente pelo filme e não se sustenta no clímax. 

 

E não é justo culpar José Loreto pelo fracasso do personagem, já que ele não teve um texto sólido para trabalhar. Quando Milhem Cortez consegue estar sub-aproveitado no filme, sinal que alguma coisa está errada.

 

Acho que esse filme nos mostra que mesmo que você tenha uma figura super popular e um diretor visionário, sem um roteiro sólido o seu filme dificilmente vai encontrar o público.

 

E você? O que achou do filme? Gostou? Deixe sua opinião ou crítica aqui ou na nossa Fanpage.

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