ROTEIRISTA

EMPREENDEDOR

Não é nada pessoal, só negócios.

31.05.2017

 

Durante as últimas semanas em que estive bem ocupado com os textos que estou trabalhando, recebi algumas mensagens e pedidos de artigos e peço desculpas pela ausência, mas o Roteirista Empreendedor precisa tirar um tempo de vez em quando para ser roteirista, do contrário qual o sentido, certo?

 

Mas o que mais me chamou a atenção essas últimas semanas foram algumas coisas que eu li e que, sinceramente me fizeram torcer o nariz. Afinal, a arte precisa ter qualidade ou não?

 

Eu fiz um video breve onde falei um pouco sobre isso a um tempo atrás, se você quiser conhecer o CINEASTA VITIMÃO, clique AQUI.

 

Acredito que todos os que me conhecem ou conhecem o meu trabalho já sabem a minha resposta, afinal esse blog se chama Roteirista Empreendedor, mas existe muita gente que acredita e defende que arte não precisa ter qualidade, o que eu entendo perfeitamente.

 

O argumento é que arte é subjetiva, assim como o conceito de qualidade. Pessoas com padrões de pensamentos diferentes têm padrões de qualidade diferentes e logo não se pode mensurar qualidade artística. Faz todo o sentido e eu concordo em gênero número e grau. Sim, o artista pode fazer o que quiser e se expressar artisticamente da forma como bem entender e como artista eu defendo esse direito com unhas e dentes.

 

O problema é quando o artista decide vender seu trabalho para o público e é nesse ponto que eu discordo com o discurso. Embora o artista possa fazer o que quiser, ele não pode obrigar o público a gostar do que ele faz. Nesse caso estamos falando de qualidade no sentido COMERCIAL da palavra, mas mantendo o sentido artístico intacto. Acho que é nesse ponto que muitos artistas se confundem. Quando a arte não dá o retorno financeiro que ele esperava, ele logo deduz que a culpa é do sistema, da sociedade, da falta de oportunidade, da falta de cultura, enfim, aparecem vários motivos para justificar a derrota, mas em nenhum momento o artista questiona se sua arte tem qualidade comercial. Na era onde as pessoas se ofendem facilmente, os artistas tem tomado críticas e falta de resposta a sua arte como ofensa pessoal e com isso acabam criando essas situações complicadas. Para isso eu tenho apenas uma coisa a dizer.
 

"Não é nada pessoal, são só negócios."

 

Vê, vender não é um direito. Ninguém possui o direito de vender, porque ninguém tem obrigação de comprar. Vende quem sabe e compra quem quer. resumindo, ninguém é obrigado a comprar arte "ruim" pra sustentar artista sem qualidade comercial. E a culpa nesse caso é única e exclusivamente do artista, que confundiu valor artístico com valor comercial.

 

Pra isso eu tenho um exemplo bem claro. Eu sou dono de uma fábrica de chocolates. EU PESSOALMENTE gosto de chocolate branco. sou fascinado por chocolate branco, mas minha pesquisa de mercado me diz que o público quer consumir chocolate ao leite. E agora? Eu devo insistir em fazer o que EU gosto ou eu quero vender para o público que quer outra coisa?

 

Se a sua arte é feita pra você mesmo, então você não precisa de validação de ninguém, já que o ciclo artístico se completou em si mesmo.

 

Mas se você quer vender sua arte, nesse caso ela necessita SIM de validação. De quem? Do Público que vai pagar pela sua arte. Se o público não gostar, significa que aquilo não tem valor comercial, que como eu falei é bem diferente de valor artístico.

 

Eu, por exemplo, não aprovo e nem consumo a "peça" "Macaquinhos", mas defendo até a morte o direito de quem quiser enfiar o dedo no cú do outro e chamar de arte. Só não espere que eu aprove, nem que eu consuma, nem que eu financie.

 

E aí entra em campo um outro fator importantíssimo que é bem comum entre a classe artística brasileira, a noção que se um artista ganha dinheiro com a sua arte ele "se vendeu" ou "só pensa em dinheiro". Criam a imagem do artista fracassado, mal interpretado, boêmio, depressivo e disseminam a idéia que esse é o estado natural do artista, e que a arte vem da depressão e da miséria. Claro que isso acontece, mas não é a via de regra.

 

Eu cansei de ler coisas do tipo "O artista é um ser triste", ou "Vida de artista é difícil". Já tentaram me encaixar em vários rótulos, mas um que eu nunca vesti foi o de infeliz. Eu AMO o que eu faço e vivo disso. Tenho plena consciência que eu preciso ter QUALIDADE COMERCIAL acima de tudo para me manter empregado. Quando eu falo pras pessoas que eu sou um artista feliz e realizado elas me olham como se eu fosse um traidor da causa. "Como você ousa ganhar dinheiro enquanto nós estamos na merda?"

 

Aí eu falo aquela verdade dura que nenhum artista gosta de ouvir. Se ninguém consome a sua arte, talvez ela seja "ruim" (do ponto de vista comercial). É o caso de se especializar mais e de estudar o mercado.

 

Daí aparecem os Coletivos de Artistas que EXIGEM oportunidade mesmo sem provar qualidade. Querem ganhar dinheiro mas não querem ter compromisso com qualidade comercial e esquecem o mercado só liga para uma coisa: dinheiro. O mercado não liga pro seu ego e o mercado não liga para os seus sentimentos. como eu disse acima...

 

Não é nada pessoal.

 

Antes de berrar pedindo democratização de acesso, tente provar o seu talento antes. Mostre que você tem qualidade artística e comercial e que é capaz de gerar retorno com a sua arte, porque quando isso acontece, os investimentos aparecem.

 

Aliás, a palavra de ordem deveria ser justamente essa: INVESTIMENTO. Ninguém "doa" dinheiro pra filme, muito menos para sustentar roteirista, as pessoas e empresas INVESTEM em cinema e TV e INVESTIMENTO significa RETORNO. Se você não está preparado para gerar o retorno, talvez não mereça o investimento.

 

Mais uma vez, não é nada pessoal... (tem que insistir.)

 

Se você é, ou quer ser um roteirista, ao invés de ficar berrando e exigindo seus "direitos" (vender não é um direito), use suas habilidades e ESCREVA. Escreva um roteiro e MOSTRE que você tem qualidade suficiente para gerar retorno. Não é difícil e você não depende de mais ninguém pra fazer isso.

 

Mas é bem comum hoje em dia, gente que acha que MERECE, pior que TEM DIREITO de ser paga para ser roteirista, independente da qualidade e da experiência, como se todos tivessem o "direito" de serem contratados, mesmo sem saber escrever.

 

Eu NUNCA vou ser um astro do futebol e eu estou em paz com isso. Você nunca vai me ver berrando, dizendo que eu fui excluido do futebol, e que eu também tenho "direito" de ser profissional pelo menos uma vez. Entende o quão ridículo isso soa?

 

Aí vem outra verdade dura que ninguém gosta de ouvir:

 

"Você não tem direito a ser pago se você não for bom no que faz"

 

Maus mecânicos são demitidos todos os dias.

 

Maus garçons são demitidos todos os dias.

 

Maus médicos são demitidos todos os dias.

 

Mas o artista... ah o artista não pode NUNCA ser responsável pela qualidade de sua arte, do contrário é preconceito, exclusão social, fascismo, etc.

 

Pela última vez (prometo!), NÃO É NADA PESSOAL

 

Mas enfim, qual a sua posição sobre isso? Você acha que todo roteirista merece uma chance mesmo sem ter que comprovar qualidade? Você pagaria para consumir esse produto? Acha que alguém tem que pagar? Artista tem que ter qualidade comercial se quiser retorno financeiro? Deixe seu comentário e vamos conversar sobre o assunto, mas sem ofensas nem ataques pessoais, afinal de contas...

 

deixa pra lá. 

 

Quer ler mais sobre o assunto? mande seu tema de discussão ou tópico de estudos para roteiristaempreendedor@gmail.com e vamos desvendar a profissão e o mercado juntos.

 

 

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