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A Política de Star Wars

24.12.2017

Star Wars é uma das propriedades intelectuais mais famosas do mundo. Seus personagens estão tão enraizados na cultura pop que são instantaneamente reconhecíveis. Recentemente, o mais novo episódio da saga, Episódio VIII, The Last Jedi causou polêmica ao apresentar um filme indeciso, com vários problemas narrativos, mas com uma mensagem clara. Mas será que essa mensagem é clara mesmo?

 

A fundação de Star Wars vem da eterna batalha entre o bem e o mal, aqui representados pelos Jedi, os cavaleiros da Luz, e os Sith, os usuários do Lado Negro. Mas para entender a dinâmica entre essas duas facções, precisamos entender primeiramente, o que faz os Jedi serem bons e o que faz os Sith serem maus?

 

Quando somos apresentados ao universo de Star Wars, aprendemos que existe uma enorme força que domina toda a galáxia. O Império Galáctico é uma força política poderosa, capaz de destruir mundos inteiros que discordem de sua ideologia política e que se recusem a seguir as regras. Do outro lado, aprendemos que existe uma rebelião de pessoas que se recusam a abrir mão de sua liberdade para o Império e assim está formado o conflito.

 

Mas você já se perguntou qual era a maior qualidade da república e qual era o maior defeito do império? Em outras palavras, porque a galáxia sob o domínio da república é boa, e por que a galáxia sob o domínio do império é ruim? Guerras só existem quando ambos os lados acreditam que estão certos. E nesse caso, qual seria o argumento do império?

 

Em Episódio I – A Ameaça Fantasma, somos apresentados a uma república em decadência, uma federação de comércio que impunha bloqueios comerciais entre sistemas inteiros e um senado gigante que não consegue concordar nos assuntos mais básicos. Se você lembra bem o discurso de Palpatine em A Vingança dos Sith, ele dizia que o império vinha para trazer estabilidade e paz para a galáxia, que estava dividida e em eterno conflito.

 

 

Palpatine usou o sistema contra ele mesmo. Assistiu de camarote as decisões erradas e alimentou a discórdia entre o senado, causando, o que segundo ele, era o fim da sociedade como um todo. Pessoas divididas em tribos, lutando contra as outras tribos pelo controle cultural. Mesmo dividindo um planeta e um ecossistema, Gungans e Naboos não conseguem conviver pacificamente. 

 

Tatooine, um planeta longe da influência da república é um lugar escasso, onde a escravidão e o jogo dominavam a cultura e as milícias controlavam a lei. No caso de Tatooine, Os Hutts dominavam o esquema de jogo e apostas e eram os que ditavam as regras. Jabba de Hutt era apenas um gângster, que controlava uma operação modesta em um cenário muito maior. Os Hutts eram a lei em lugares onde a República não chegava.

 

Os Jedi assistiram de seu templo confortável a República ruir e nada fizeram. Estavam tão dentro do sistema, que assim como o senado, eram incapazes de ver além da janela de sua cobertura em Coruscant. Enquanto o Conselho Jedi mandava um Mestre Jedi e seu Padawan para intermediar acordos comerciais entre Naboo e a Federação, o pequeno Anakin Skywalker e sua mãe eram escravos de um Sucateiro. Prioridades...

 

 

A República estava em colapso. O modelo social proposto pela república incentivava o conflito, pois abria a porta para mega-corporações e sindicatos dominarem grandes setores da galáxia, como era o caso da Federação de Comércio.

 

Com o tempo, as pessoas começam a se sentir esquecidas, ignoradas. Deixam de acreditar que de suas poltronas acolchoadas e vestidos de seda os senadores têm seus interesses em mente. A liberdade para fazer parte da república também inclui a liberdade para NÃO fazer parte da república. Assim, um depois do outro, Sistemas começaram a abandonar a República para serem livres e independentes sem precisar depender das demoradas e raras decisões do senado.

Enquanto o modelo republicano afundava, a oposição enxergou uma oportunidade de fazer propaganda e propagar os ideais de uma galáxia unida, sob um único governo e livre de conflitos. Vamos chamar essa ideia de “ideal imperial”.

 

Munido desse ideal imperial, Palpatine passou a comandar as duas frentes do conflito. Como Chanceler do senado, ele comissionou a construção de um exército de clones para defender a república contra os separatistas. Enquanto Sith Lord, ele comandava Conde Dooku a utilizar toda a força dos separatistas contra a república.

 

 

Com o conflito armado, Palpatine teve a plataforma necessária para vender o ideal imperial. A noção de que apenas uma galáxia unida poderia garantir a paz entre os sistemas. E assim começou a propaganda.

 

O Império passou a ser a resposta para todos os problemas da galáxia e cada vez mais gente, mundos e sistemas passavam a aderir o ideal imperial. Lembre-se que o discurso de Palpatine na formação do império só resultou em aplausos porque a grande maioria dos mundos já tinha aderido ao ideal imperial. Assim, exerceram o poder da verdadeira democracia, onde a maioria simplesmente impõe sua vontade sob a minoria. Sem conversa.

 

Com a formação do Império, Palpatine, desmantelou o que sobrou do conflito entre República e Separatistas para investir no novo ideal imperial. O exército de clones foi bom e eficiente, mas só foi necessário porque foi feito sob o domínio da república. Teve que ser feito em segredo, com o uso de engenharia genética. Agora, sob o domínio do império, as pessoas se alistam voluntariamente. A propaganda foi tão bem feita que não há mais a necessidade de manter um caro exército de clones, as pessoas estão dando suas vidas voluntariamente para o ideal imperial.

Como símbolo da sua vitória, Palpatine pega o campeão do outro lado e o corrompe. Palpatine colocou Anakin Skywalker em uma coleira, literalmente. Ele sabia, que Anakin tinha poder suficiente para destroná-lo. Palpatine salvou Vader não por bondade, mas para ter controle absoluto sob o Jedi mais poderoso do universo. O traje de Vader foi feito especificamente para restringir seus movimentos e mante-lo sob controle.

 

Sob o domínio do império, o governo estatizou todas as propriedades privadas, sindicatos e absorveu para si todos os seus recursos. O ideal imperial não deixa brecha para liberdade econômica. Garantir o controle do sistema significa garantir o controle sobre a cultura, a economia e o arsenal militar daquele mundo. Todo o tipo de pensamento separatista era tratado com extrema rigidez.

 

Só que manter a paz imperial custa muito caro. Enviar batalhões de Stormtroopers e oficiais imperiais para cada mundo demanda uma quantidade enorme de recursos e dilui o poder das mãos do imperador, uma vez que é preciso um número enorme de oficiais, generais, almirantes para comandar as frotas imperiais.

 

Para resolver esse problema, Palpatine tinha um plano ambicioso. A construção de uma estação espacial colossal com poder suficiente para destruir um planeta em qualquer lugar da galáxia. Com a Estrela da Morte, Palpatine traz o poder de volta para suas mãos e as decisões podem ser feitas na base da canetada, sem a necessidade de despachar destacamentos militares para Sistemas rebeldes. Com a arma suprema pronta, os sistemas não têm escolha a não ser seguir o ideal imperial. Alderaan que o diga.

 

 

Sob ordem Imperial não existe livre-comércio. O governo é quem decide quem pode vender o que e cobra licenças e impostos abusivos sobre todo e qualquer tipo de transação financeira. Recuse-se a pagar seus impostos e Stormtroopers vão invadir sua casa e levá-lo para a cadeia. O governo quer ter controle total sobre tudo o que é produzido e comercializado na galáxia. A paz imperial só existe porque fere as liberdades individuais de seus cidadãos. Isso faz com que as pessoas comecem a procurar em outros lugares pelas coisas que o governo lhe proíbe de ter. Por esse motivo, sob a ordem imperial, o crime organizado cresceu exponencialmente. O Contrabando passou a ser a forma de sustento de muita gente, já que existia uma demanda muito grande por produtos proibidos pelo Império. Contrabandistas, traficantes, mafiosos e milicianos enxergaram na proibição uma oportunidade de lucro. Lembra de Jabba, aquele Hutt que comandava a pequena operação de jogo em Tatooine? Ele agora é o poderoso chefão.

No ideal imperial, o governo é dono de tudo, inclusive de seus cidadãos. Ele diz como você deve agir, o que você deve pensar, como você deve se vestir e as palavras que você pode ou não usar. No ideal imperial os problemas sociais são resolvidos na base da lei, que é rígida e aplicada duramente. Críticas ao governo não são toleradas e há um controle midiático que diz que tipo de programação você pode ter acesso.

 

Como tudo é estatal, você não tem escolha a não ser trabalhar para o governo, e adivinha só. Sob a ordem imperial o governo é quem decide quanto você vai ganhar, quantas horas você vai trabalhar e é ele quem vai definir quando, quanto e SE você vai conseguir receber sua aposentadoria. Quando o governo ataca suas liberdades individuais em prol do coletivo, quando ele limita o comércio, quando ele estatiza todas as formas de produção, isso faz com que as pessoas busquem empregos ilegais, se juntem ao crime organizado, virem contrabandistas ou até mesmo traficantes. 

 

Assim a ordem imperial começa a ruir da mesma forma que surgiu. Mais e mais pessoas de todas as partes da Galáxia estão insatisfeitas e aderindo aos ideais da nova república, defendido pela Aliança Rebelde, que ganha força o suficiente para ameaçar a autonomia do Império. Esses ideais defendem as liberdades individuais, o livre comércio e a soberania de cada povo. A Aliança Rebelde é a nova versão dos Separatistas. Eles lutam pelo fim da opressão imperial, e principalmente, levantam a bandeira da liberdade. Querem a restituição do senado e a criação de uma Nova República.

 

A morte do Imperador deixou um vácuo de poder. Forças Imperiais se uniram para ocupar o poder deixado por Palpatine e dessa forma o Supremo Líder Snoke uniu as forças restantes no Anel Externo da Galáxia e fundou a Primeira Ordem, buscando assumir o poder deixado por Palpatine. Afinal, é mais fácil preservar um sistema que já existe do que aceitar uma mudança de regime.

 

Hoje, temos uma Primeira ordem que luta para ocupar o topo da cadeia alimentar enquanto um grupo de Resistência luta para a restauração da Nova República. 

Ambos os lados acreditam que estão certos e ambos os lados falharam quando chegaram ao poder. Talvez a famosa Guerra nas Estrelas seja uma guerra por poder e nada mais. A guerra pelo privilégio de controlar a galáxia. Para cada ordem que se instaurar, uma oposição ira surgir. Um ciclo infinito que se repete eternamente.

 

 

Talvez, seja uma questão de extremismo. Tudo ao extremo acaba fazendo mal. Tanto o excesso de liberdade, quanto o excesso de repressão.  Talvez a resposta esteja realmente no equilíbrio. Em conseguir navegar entre a luz e a sombra. Talvez não seja sobre escolher um lado e defendê-lo com unhas e dentes, e sim em conseguir conviver com as diferenças de valores e opiniões. Talvez os antigos Jedi estivessem certos em acreditar em uma profecia sobre um herói que traria equilíbrio para a força. Talvez Luke esteja certo em acreditar que os jedi devam acabar, e que a força é muito maior do que ideologias e seitas. Ela é uma força que pertence a universo, que nos cerca e nos penetra. É a força que segura todas as coisas juntas e que conecta todas as coisas vivas.

 

Tudo isso aconteceu em uma galáxia muito, muito distante, mas poderia muito bem acontecer aqui.

 

Que a força esteja com vocês.

 

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