ROTEIRISTA

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Como criar o seu Processo Criativo

23.01.2018

 

Criar um processo criativo é mais simples do que parece. Tem mais a ver com auto-conhecimento do que com técnicas específicas. O que funciona pra mim pode não funcionar pra você, mas espero que o meu processo lhe ajude a encontrar o seu.

 

Eu sou uma pessoa bem analítica. Eu sempre fui bom em identificar furos de roteiro e por isso eu gasto muito tempo no desenvolvimento da idéia pra ter certeza que o conceito é sólido antes de começar a desenvolver. Não tem nada pior pra mim do que estar no meio do roteiro e encontrar um furo que eu não tinha visto antes. Tenho que resistir a urgência de apagar tudo e começar do zero. Hoje eu tenho consciência das minhas qualidades e limitações como criador, mas antigamente, eu me desestimulava muito fácil.

 

Tudo tem a ver com o tipo de pessoa que você é. Você era da turma que estudava de manhã ou de tarde? Eu conheço escritores que rendem mais de manhã cedo, outros que só conseguem escrever de madrugada. Seja qual for o seu momento mais criativo, é importante criar uma rotina.

 

Imagine que a escrita é para você o que a academia é para as pessoas normais. Converse com qualquer pessoa que cuide bem do seu próprio corpo e ela vai lhe dizer a importante de ter uma rotina de treinos e um estilo de vida saudável. O mesmo vale para nós, menos o glamour do instagram, é claro.

 

Quando você vai para a academia todos os dias na mesma hora, o seu corpo se acostuma e se adapta a rotina de exercícios. Isso significa que se você treina todos os dias as 8 da noite, a partir das 6 seu corpo já começa a "se preparar" para os exercícios, você começa a se sentir mais alerta, mais energizado.

 

Quando você escreve todos os dias na mesma hora, o seu cérebro se acostuma a ser criativo naquela hora. Parece absurdo para alguns, mas nós não somos escravos do nosso cérebro, somos mestres dele. É por isso que sentimos fome na hora do almoço, porque almoçamos todos os dias na mesma hora. Quando separamos aquelas horas do dia para escrever, nosso cérebro já antecipa aquele momento e se prepara quimicamente para ser criativo. Da mesma forma que seu estômago começa a se preparar para receber comida quando vai chegando a hora da janta.

 

O que é roteiro pra você? Trabalho ou hobby? Você é um cara que escreve nas horas vagas ou você quer ser um profissional e ganhar dinheiro com isso? Você vai colher da sua profissão o tanto quanto você plantar. Se você dedicar 10% do seu tempo ao roteiro, vai colher apenas 10% dos frutos dele.


Uma vez que você cria uma rotina, você começa a pensar em como administrar melhor o seu tempo e tornar a sua escrita mais eficiente. Lembre-se que escrever bem é a junção de estudo e PRÁTICA. Quanto mais você escreve, melhor você escreve. Por isso não tenha medo de escrever "merdas". Todo mundo começou escrevendo merda. Até o Tarantino. Quanto mais cedo você identificar suas limitações, mais cedo você pode começar a trabalhar nelas.

 

Eu particularmente sempre tenho mais de um projeto acontecendo simultaneamente. Sempre que encontro um bloqueio em um, descanso trabalhando em outro e na maioria das vezes as respostas que eu procuro se mostram nesse vai e vem de projetos. A forma como eu trabalho cada projeto, é que eu gosto de compartimentalizar o meu foco, dividindo o trabalho em etapas.

 

Antes de começar a escrever, é preciso criar uma história, povoá-la de personagens, adicionar conflito e só então começar a escrever páginas.

 

Tudo começa com uma idéia e para transformar uma idéia em história, você deve dividi-la em ATOS. Começo, meio e fim.

 

Com os atos definidos, é hora de definir a estrutura narrativa. Seja uma tragédia grega, uma jornada do herói, ou os sete pilares, identificando os pontos de virada e a carga dramática.

 

Com a estrutura montada e com os beats estruturados, é hora de partir para a BEAT SHEET, ou ESCALETA, como é conhecida no Brasil, que é simplesmente a sequência de CENAS da sua história, do início ao fim. Essa é a fase mais demorada de todo o processo e é aqui que os furos de roteiro aparecem, que personagens são cortados, que cenas são re-arranjadas. Só depois de ter uma escaleta bem definida que eu começo a escrever o roteiro propriamente dito, cena a cena.

 

O primeiro Tratamento vai ser sempre uma merda. Lide com isso e termine-o o mais rápido possível pra poder partir logo pro segundo. Esse tratamento é apenas o seu vômito inicial de palavras no papel. Não representa o produto final. Com o primeiro tratamento em mãos, é hora de procurar ajuda e pedir feedback. Com o rascunho inicial da história já dá pra ter uma grande idéia do que funciona e do que não funciona.

 

O segundo tratamento é onde você vai POLIR as suas cenas, eliminar a gordura e tudo o que não for essencial.

 

No terceiro tratamento, vai reescrever todos os diálogos, adicionando emoção e camadas de sub-texto. Vai aproveitar também para dar mais níveis de significância para momentos que já estão no roteiro. Vai plantar setups no início e colocar o payoff correspondente no final.

 

Depois disso é REVISAR, REVISAR, REVISAR. Somente com o roteiro pronto que eu começo a me preocupar com gramática e com a forma do texto. Durante a revisão é o momento em que eu vou corrigindo o bom português, vou escolhendo as palavras a dedo e criando os gatilhos mentais necessários para extrair a emoção que eu quero do público.

Depois de revisar, deixe o texto descansar um pouco enquanto trabalha em outro projeto. Uma semana tá de bom tamanho. O que você quer é desligar um pouco a mente, desapegar um pouco dos conflitos pra poder ler como o público vai ler. Se você conseguir gostar e se orgulhar do roteiro nessa segunda lida, sinal que tá pronto pra ganhar o mundo. 

 

Você deve ser o seu maior fã. Você tem que ser o primeiro a comprar o que quer que você esteja vendendo. Quando você gosta, você faz um pitch com o coração e não com o cérebro.

 

Mas o principal elemento de tudo é aquele que não se pode ensinar. CRIATIVIDADE. Sua capacidade de pensar fora da caixa, de aplicar pontos de vista únicos a problemas banais. De conseguir tecer um diálogo digno de letra de música. Tudo isso que eu e muitos outros instrutores de roteiro ensinamos são apenas ferramentas para dar suporte a sua criatividade.  E criatividade não é "dom", criatividade é resultado de curiosidade, questionamentos e solução de problemas.

 

E você? Qual o seu processo criativo? Você tem algum "ritual" na hora de escrever? deixe o seu comentário, curta nossa FANPAGE e compartilhe o Roteirista Empreendedor. O primeiro e maior portal para roteiristas do Brasil.

 

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