ROTEIRISTA

EMPREENDEDOR

Dicas e Formatação dos Roteiros de Quadrinhos

26.06.2018

 

Uma das formas mais legais de contar histórias, pelo menos para a minha geração. Eu cresci lendo quadrinhos e meus primeiros esboços de histórias envolviam personagens de quadrinhos. 

 

Meu primeiro contato com roteiro de comics foi na faculdade e foi uma das minhas aulas mais legais de todo o curso. Lá eu consegui desenvolver duas propriedades, uma delas já está em gestação nesse momento.

 

O roteiro de quadrinhos tem seus desafios, o que torna a linguagem muito direta e afiada. É um outro nível de storytelling, é como escrever no "hard".

 

Hoje vamos arranhar a superfície do assunto, mas se vocês quiserem saber mais, deixem um comentário e compartilhem esse post que eu crio uma série de posts aprofundando o assunto.

 

Mas vamos ao que interessa.

 

Quadrinhos, por incrível que pareça, não é só super-herói fantasiado. O Brasil é craque em fazer quadrinho independente de altíssimo nível. Tem muita gente boa por aqui, e tem muita gente boa escrevendo e desenhando herói também. 

 

Comics, como são conhecidas internacionalmente, é uma forma barata e cooperativa de se publicar. Basicamente, você precisa de um roteirista e um artista para dar vida a uma obra. A não ser que você seja um dos poucos que conseguem reunir as duas habilidades em uma só pessoa. Se auto-publicar também é barato. você pode imprimir seus quadrinhos ou disponibiliza-los digitalmente de forma rápida e prática.

 

mas antes de vender uma obra, você precisa ter uma obra pra vender, certo?

 

Quando começamos a pensar em uma revista em quadrinhos, o bom roteirista empreendedor começa a pensar na formação de um produto de sucesso, que consiste de roteiro excelente+Arte fenomenal+Formato Ideal.

 

Vamos começar pelo formato. Comics são escritas em múltiplas de 4 páginas. Isso porque se você pegar uma folha A4 deitada e dobra-la no meio, você terá quatro página frente/verso em tamanho A5.

 

Isso influencia diretamente no formato da sua história, já que o total de páginas do seu livro deverá sempre ser um múltiplo de 4.

 

O que aqui chamamos de "formato americano" segue a mesma regra, só que é feito com um papel A3 dobrado no meio, criando quatro páginas frente/verso em tamanho A4.

 

O Formato pode ser uma série semanal, mensal, quinzenal, ou se você preferir, uma Graphic Novel, que nada mais é do que uma história em quadrinho fechada, com início, meio e fim. Graphic Novel é o Longa metragem dos quadrinhos.

 

Tudo isso é importante ter em mente quando for planejar a sua história. É uma história fechada ou uma série contínua? Vai ser em frequência mensal ou semanal?

 

Uma vez que definimos isso, podemos finalmente definir quantas páginas vai ter o nosso livro. Para histórias seriadas, algo entre 40 e 80 páginas. Para Graphic Novels, de 160 em diante.

 

Nossa Bill. Que fixação com o número de páginas! Você vai entender o porque.

 

O número de páginas é muito importante porque cabem apenas um número limitado de painéis por página, e ainda por cima, um número ainda mais limitado de texto. Quanto mais páginas a sua história, mais trabalho para o artista e mais cara ela fica. Quando estamos começando é sempre bom levar em consideração o fato de que ninguém conhece a gente, e que por mais que nosso trabalho seja bom, é prudente dosar o número de páginas pra deixar o produto acessível. É mais importante deixar um gostinho de "quero mais" no leitor do que correr o risco de entedia-lo.

 

Existem mil maneiras de planejar o design dos painéis e cabe a você, roteirista usar as quebras de página ao seu favor, escondendo uma revelação importante em um virar de página, ou um painel central de página dupla. Os painéis, as legendas, os balões, os diálogos, tudo isso são ferramentas ao seu dispor na hora de contar a sua história.

 

O Final Draft 10 já tem alguns templates prontos de formatação de acordo com os padrões das principais editoras, como Marvel/DC e Dark Horse. Para nós, que estamos começando, o melhor modelo a se seguir é o modelo Dark Horse, pois ele representa a maior parte dos quadrinhos independentes do mundo. Ou seja, se não é de editora grande, provavelmente vai estar nesse formato. Vamos dar uma olhada em como uma página desse modelo se parece.

 

PAGINA UM (QUATRO PAINÉIS)

 

Painel 1. Explique o que está acontecendo no quadro de forma visual. As descrições dos painéis devem ser escritas em caixa baixa. Não use tabulação, ou qualquer outro tipo de fonte e formatação. 

 

PERSONAGEM 1:  Digite aqui a fala do seu personagem. Mantenha em mente o tamanho da fonte e dos balões disponíveis no quadro. Mantenha os diálogos simples e direto. Evite exposição.

 

PERSONAGEM 2 (BURST): Cada personagem que fala no quadro vai ter seu próprio parágrafo na ordem em que eles devem ser lidos, por isso é bom já ir pensando na ordem certa que sua história deve ser lida.

 

Painel 2. Não existe um tamanho mínimo ou máximo de informação que você deve colocar nas descrições, mas seja o mais claro possível. O ideal é que você possa passar o roteiro para o artista e deixar ele fazer a mágica dele sem maiores interferências. Por isso a sua história deve falar por si.

 

SFX: Abreviação de Sound Effects, ou Efeitos Sonoros. Eles são descritos da mesma forma que os diálogos. São os sons e onomatopéias da cena. um "POW" de um soco, ou um "CREC" de uma madeira rachando.

 

CAP: Abreviação de Captions, ou Legendas. É a narração da história, que normalmente não vem em balões, mas em caixas.

 

Existem outras formas de passar a intenção dos seus diálogos. Por exemplo, use os parênteses para identificar os tipos de balão onde a fala vai ser inserida. (WHISPER/SUSSURRO) diz que é um balão pontilhado. (OP/OFF PANEL) significa que um personagem está falando de fora do painel. (THOUGHT) diz que é um balão de pensamento e por aí vai.

 

E lembre-se de que apesar de ser uma outra mídia, os Quadrinhos também obedecem as regras e normas do storytelling. Por isso, pense nas suas histórias de forma completa, com incidentes iniciais, pontos de virada, complicações progressivas, diálogos afiados etc etc e tal.

 

E não existe jornada fácil. Você precisa escrever uma, duas, três, dez! Quanto mais você cria, melhor você fica. Não desista se a primeira não der certo. Trabalhe mais e estude mais que a jornada é sempre pra cima.

E aí? Curtiu o post? Quer mais posts sobre quadrinhos? Comente e compartilhe esse artigo com seus amigos que eu crio uma série de posts e entrevistas com feras dos quadrinhos brazucas.

 

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