ROTEIRISTA

EMPREENDEDOR

Roteirista Roberta Saboya é destaque no Laboratório de Roteiro de Séries no Rio.

26.07.2018

 

A roteirista carioca Roberta Saboya foi o grande destaque do Scriptlab RJ, o Laboratório de Roteiro de Séries ministrado por Bill Labonia no Rio em maio no Espaço telezoom, no bairro do Humaitá. Roberta é a criadora de um projeto de série de comédia que cativou os demais participantes, bem como o instrutor, mas eu vou deixar que ela mesma responda essas perguntas.

 

1.     Oi Roberta. Você foi a vencedora do Scriptlab RJ. Fala um pouquinho sobre você. De onde veio? O que faz?

 

Desde pequena tenho uma conexão especial com os filmes. Quando eu era criança, costumava encenar cenas famosas de filmes com as minhas bonecas. Cheguei a me formar em teatro, mas ganhar a vida como atriz não estava sendo fácil e resolvi voltar para o mercado de audiovisual, afinal eu sou formada em comunicação Social pela UFRJ. Foi nesta virada que descobri que a minha verdadeira vocação é escrever. No audiovisual já fui assistente de produção e assistente de direção. Hoje, atuo como pesquisadora e roteirista freelancer, tenho feito muitos roteiros institucionais, pesquisa de conteúdo para a Rede Globo, roteiros tanto para youtube quanto para documentários e realitys para a tevê.   Minha experiência com outras áreas do audiovisual me ajuda muito a escrever porque, de uma certa forma, tenho o privilégio de conhecer o processo todo, desde a ideia, passando pela produção, até a finalização. Meu grande desafio agora é virar a chave e passar a ser reconhecida como roteirista de ficção. Sei que tenho que botar meus projetos na rua e o curso do Scriptlab me deu um novo impulso para a concretização desta meta.

 


2. Como você vê o mercado audiovisual brasileiro hoje?

 

O mercado audiovisual brasileiro é difícil. Existe a eterna falta de dinheiro para concretizar os projetos e por isso, precisamos rebolar. Artisticamente, pode até ser um ponto positivo, já que precisamos usar muita criatividade, quando não temos grandes recursos financeiros em mãos.

Não é fácil entrar para o círculo de roteiristas atuantes no mercado. Por isso, concordo muito com o Bill quando ele prega que temos que ser empreendedores. Preciso trabalhar melhor este meu lado porque acho que esse é o caminho mesmo. Estudar, levar os projetos pessoais à frente, inscrever-se em festivais e agarrar as oportunidades de trabalho, mesmo as menos glamorosas como os roteiros de vídeos empresariais, conteúdos educativos e para a internet. A gente aprende com cada experiência. Vivemos em um período de contradição: ao mesmo tempo que o mercado é fechado, ele está em ebulição. A internet, o mercado de games e o conteúdos on demand vêm mudando a forma com que as pessoas consomem conteúdo audiovisual. O mercado está mais diversificado e precisando, mais do que nunca, de bons roteiristas. Acho que persistência é a palavra que os roteiristas precisam ter em mente.

 


3. Quem são seus ídolos e influências no mercado mundial?

 

Eu sou muito fã dos roteiristas do cinema argentino. Eles fazem do limão, uma limonada incrível. Até as tramas mais simples tem um tchan, um charme a mais na maneira de narrar a história. Um exemplo é o filme: Medianeras (Roteiro de: Gustavo Taretto) , Nove Rainhas (Roteiro de Fabián Bielinsky) e o Filho da Noiva (Escrito por Juan José Campanella e Fernando Castets). Isso para não falar do ganhador do Oscar de filme estrangeiro: O segredo dos seus Olhos (Escrito por: Eduardo Sacheri, Juan José Campanella) .

 

Uma das coisas que mais gosto de fazer é escrever diálogos e fico muito de olho nos filmes e séries. Um dos roteiristas/ diretores que mais me chamam atenção é o Woody Allen. Sei que ele é auto referente, se repete ao longo dos filmes, mas acho que ele coloca uma naturalidade incrível na boca dos personagens dele. Os diálogos fluem, são engraçados e profundos ao mesmo tempo. Mesmo os filmes menos badalados dele trazem falas interessantíssimas. É o caso de Poderosa Afrodite e de A Era do Rádio. 

 


4. Se você tivesse que escolher e só escrever um tipo de roteiro, qual seria: Longa ou Série? Por Que?

 

Atualmente, acho que escolheria série. Não apenas por ser uma tendência de mercado, mas porque uma série precisa ter ganchos, reviravoltas, idas e vindas... é um desafio imenso para um roteirista fazer tudo isso, sem deixar que o seu produto perca qualidade, crie barriga, se esvazie ou se perca.

 


5. Quando foi que você decidiu levar o roteiro a sério? Qual foi o Incidente Inicial da sua carreira?

 

Depois que saí do teatro e fui trabalhar definitivamente com audiovisual, comecei fazendo pesquisa e logo fiquei na função de Assistente de Direção. É uma função extenuante e importantíssima, mas muitas vezes mais ligada à parte de produção do que à parte criativa da realização de um produto audiovisual. E durante os processos, tudo o que eu queria era estar escrevendo, ao invés de exercer a função que eu estava exercendo. Precisei trabalhar, fazer cursos e desengavetar projetos. Eu pedi opiniões e conselhos de roteiristas mais experientes e, com a ajuda de um diretor e grande amigo, André Glasner, consegui começar a ser chamada como roteirista para os programas e projetos. Com André Glasner e uma equipe muito competente, conseguimos realizar o primeiro curta metragem com um roteiro de minha autoria: Epílogos. Colocamos o curta em vários festivais e fomos selecionados em vários deles, como o Largo Film Awards e o Short to The Point Awards.   

 


6. Sua experiência como atriz te facilita na hora de escrever?

 

Acho que ajuda bastante, principalmente na construção dos personagens e na realização dos diálogos. Por causa do teatro, sei como é ruim para um ator dizer palavras que não combinam com a personalidade do personagem que está interpretando. Soa falso para quem está interpretando e para quem está vendo. Essa lição pode facilmente ser transportada para o autor. O personagem deve, antes de tudo, ser bem construído, precisa ser coerente dentro do universo proposto pelo próprio autor. O modo com que ele fala é um dos aspectos dentro de um universo enorme e deve ser elaborado com  cuidado.


7. Um filme ou série que você queria ter escrito:

 

Passionalmente falando, acredito que um filme não é apenas o que acontece numa tela de cinema, é  também o que ele provoca em quem vê. Tem alguns filmes que me arrebataram, me emocionaram e me marcaram de maneira especial. Esses são filmes que eu gostaria de ter escrito. Penso que quando eu escrever algo que eu possa causar em alguém a emoção que esses filmes me causaram.... eu vou me sentir bastante realizada.  Eis alguns dos filmes que eu gostaria de ter escrito: A Noviça Rebelde, Sociedade dos Poetas Mortos, Minha Amada Imortal, Carne Trêmula, Noivo Neurótico Noiva Nervosa, E.T, Foi Apenas um Sonho,  Cisne Negro...

 

A lista é grande. Se deixar, não paro mais. (rs).    

 

 

8. Se você só pudesse contar UMA história na vida, qual seria?

 

Tão difícil essa pergunta! Mas, se eu pudesse contar uma só história... Acho que contaria uma história de superação.  Na verdade, minha resposta é uma forma de sair pela tangente desta pergunta impossível de responder. (rs)  Você pode contar uma história de superação de mil maneiras diferentes, com personagens em situações diferentes... pode resultar em muitos filmes e séries....Adoro ver um personagem chegar ao fundo do poço, entrar em desespero e depois conseguir se organizar de uma maneira diferente e olhar de um outro jeito para a vida.

 

 

9. Um sonho ou meta dentro da carreira?


Escrever ficção sempre, uma atrás da outra, uma melhor do que outra. Ganhar prêmios, emocionando a plateia.

 

 

10. Sua série foi escolhida a melhor do Scriptlab RJ. Pode falar um pouquinho sobre ela e quais seus planos?

 

O nome da minha série é Siga-me, uma comédia que conta os conflitos e os desencontros amorosos de Fefê Mello, uma famosa blogueira fitness. O mote da série é o seguinte: Depois de ficar famosa na internet, a insegura, ex-gorda, atual blogueira fitness, tem que se reinventar antes que o público perceba que ela não é quem aparenta ser.

 

Essa história começou a ser desenvolvida há 3 anos. O produtor Alex Oliveira queria fazer um projeto para colocar em editais e me deu uma ideia. Eu desenvolvi, criei personagens, criei situações, aprofundei as sinopses com a ajuda de outro roteirista: Rick Sadoco. Escrevi o piloto. Mas, a série estava engavetada. Quando me inscrevi para o lab, escolhi mostrá-la aos colegas porque achei que estava em um bom caminho. No Lab, recebi muitos feedbacks interessantes e aceitei sugestões que fizeram os meus personagens ficarem mais interessantes.

 

Ainda quero trabalhar o piloto e os arcos das temporadas. Depois do Scriptlab, tracei o plano de investir nas melhorias do projeto: não só no conteúdo, mas também no design dele. Além disso, vou mostrá-lo para pessoas do meio, atores e para tentar montar um elenco e poder deixar o meu produto ainda mais forte. Quero trazê-lo ao Rio Content Marketing 2019 para atrair investidores e tentar tirar a série do papel.

 

 


11. Como foi a experiência no Scriptlab? Você recomenda?

 

Eu adorei ter participado do Scriptlab. Por causa do Lab, uma parte de mim, que andava um pouco adormecida pelo cotidiano corrido da vida, despertou. O Bill fala muito que um roteirista tem que ser empreendedor e que metade do nosso trabalho é criar e a outra metade é vender. Ainda estou engatinhando na arte de vender, mas aprendi muito com o Lab. O Bill compartilha com os alunos essa experiência que ele tem por ter estudado e morado fora do Brasil. Além disso, traz a bagagem de sempre concorrer e ganhar prêmios com o trabalho dele. Acho que a coragem que ele tem de se expor e colocar o trabalho dele à mostra, sem medo dos julgamentos ou dos "nãos" que eventualmente venha a receber... é muito inspirador. Além disso, a troca de experiência e ideias com os outros roteiristas do Scriptlab é riquíssima. Recomendo demais. 

 


12. Você recebeu uma cópia do Final Draft 10 e uma bolsa Parcial da Vancouver Film School. Já está usando o software? Vai pro Canadá?

 

Estou usando o Final Draft 10 e sorrindo de orelha à orelha. O programa é uma ferramenta maravilhosa,  o mercado está usando para escrever e eu tive a felicidade de ganhar. Sim! Ganhei e o programa é caro mesmo. Estou muito feliz com essa conquista.

 

Sobre a bolsa...Estudar fora é um grande sonho que tenho. A bolsa parcial é um belíssimo empurrão, mas estou analisando e fazendo contas para ver se consigo realizar este sonho.

 

 

A temporada do Scriptlab está chegando ao fim. A última turma do ano vai ser agora, dias 4 e 5 de Agosto em São Paulo. Depois desse, Eu vou me dedicar a outros projetos e com a agenda do segundo semestre.

 

Se você quer compartilhar idéias e experiência, aprender a desenvolver um produto para TV e Internet e ainda por cima levar uma cópia grátis do Final Draft 10 e concorrer a uma bolsa para o curso de roteiro da Vancouver Film School, garanta já a sua vaga. 

 

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