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Existe Cinema além do Minc?

31.10.2018

 

Com todo esse clima de pós eleições, um dos temas mais polêmicos e gerador de muitas discussões inúteis entre os profissionais, é o futuro do ministério da cultura, e principalmente o futuro das leis de incentivo, tão amadas e tão odiadas ao mesmo tempo. Mas existe mercado além do MinC ou estamos fadados a escravidão do incentivo estatal?

 

Acho que é bom começar dizendo que Leis de Incentivo não são malvadas, nem erradas. Todos os países possuem uma forma ou outra de incentivo governamental para produção cultural, seja no abatimento de impostos - renúncia fiscal - seja no investimento direto - editais - até mesmo o grande e poderoso mercado americano. Leis de Incentivo não são um problema, mas a forma como elas existem pode ser um problema, principalmente se não conseguirem cumprir o papel que se propõe.

 

Vamos por partes. Hoje temos um mercado nacional ativo graças as Leis de Incentivo. A Lei do Audiovisual é responsável por grande parte de nossa produção de cinema, enquanto o Fundo Setorial do Audiovisual distribui recursos para outras tantas produções. A Lei da TV paga realmente inflamou o mercado de TV por assinatura, gerando emprego, impostos e riqueza para o país.

 

Veja, o objetivo desse post não é dizer que Leis de Incentivo não prestam. tanto prestam que são responsáveis pelo cenário otimista que temos hoje. O objetivo aqui é mostrar que existe sim - ao contrário do que muitos tentam pregar por aí - mercado além do ministério da cultura.

 

É bom deixar bem claro que a palavra INCENTIVO não está na lei por acaso. O objetivo da lei é justamente INCENTIVAR a produção audiovisual do país, mas isso não quer dizer sustentar todo o mercado. A partir do momento que a Lei não incentiva, mas condiciona a produção ao seu uso, alguma coisa está errada.

 

O que acontece, é que quando um projeto cultural já sai do papel 100% pago, isso acaba com todo o incentivo de buscar lucro e gerar riqueza. Muitos filmes financiados a partir dos mecanismos de incentivo não são capazes de gerar riqueza. Ou seja, eles consomem mais do que geram e isso vai pesando no mecanismo e no país até que uma hora vai entrar em colapso. É preciso que dentro desses mecanismos, existam outros que obriguem os projetos financiados a retornar o investimento aos cofres públicos, para que aquele dinheiro possa servir para financiar outros filmes de outros cineastas, criando uma máquina que, a longo prazo, vai ser capaz de se sustentar sozinha.

 

Pra isso, precisamos pensar no nosso cinema como um mercado profissional. Precisamos aceitar que investimento não é doação, e que a partir do momento em que os filmes começarem a gerar LUCRO, as empresas vão querer investir. Isso porque empresários não investem em filmes, eles investem em NEGÓCIOS e a própria palavra INVESTIMENTO deixa implícito que está condicionado ao LUCRO.

 

Não temos no Brasil hoje uma rede de salas de exibição condizente com o nosso território e com o tamanho do nosso mercado interno. Nosso país de mais de 200 milhões de pessoas tem pouco mais de 3 mil salas de cinema, normalmente concentrados em capitais e dentro de shopppings. Isso transforma o cinema em um programa caro e elitista, inacessível para o grosso do nosso mercado consumidor.

 

Se o cinema não chega até a população mais pobre, é importante pensar em outras formas de fazer o FILME chegar até eles. Enquanto nossa rede de cinemas não consegue comportar a exibição de nossos filmes, temos uma país onde 70% da população tem acesso a internet de alguma forma. Sendo assim, por que não usamos a internet para levar os filmes para os lugares onde o cinema não chega?

 

A resposta é.... falta de incentivo. É isso mesmo. Como eu falei acima, quando o filme já chega pra equipe de produção 100% financiado, a produtora não tem incentivo de buscar esse lucro de formas alternativas. Produzem o filme, entram na fila de distribuição e ficam esperando de braços cruzados enquanto o filme fracassa nas bilheterias das poucas salas de cinema onde é exibido. Mas não importa. todo mundo foi pago e o único "lesado" foram os cofres públicos que deixaram de arrecadar impostos das grandes empresas.

 

No interior, o mercado de DVD pirata é o único contato que o povo tem com cinema. Pagam 10 reais por DVD pra assistir em casa. Esses 10 reais poderiam ser contabilizados como um espectador, se o filme que está no cinema fosse disponibilizado em DVD para essa parte da população.

 

Uma solução ainda mais barata, seria a exibição online, onde qualquer pessoa, de qualquer lugar do MUNDO poderia pagar os mesmos 10 reais e assistir o filme em casa, assim como o youtube faz.

 

mas por que ninguém faz isso? Por que não temos um mercado acostumado a empreender, a buscar formas alternativas de geração de riqueza. não temos profissionais comprometidos a levar o filme para TODOS. O ego de ter seu filme no cinema do shopping fala mais alto.

 

Precisamos de cinemas de rua, de bairro. precisamos ampliar nossos horizontes. Ver filmes no cinema é legal, é uma experiência única que eu não quero que morra, mas enquanto não temos cinemas suficiente para comportar nossa produção interna, precisamos empreender e pensar em formas alternativas de levar o filme até o público.

 

Gente pobre e simples do interior também gosta de cinema. Gente pobre e simples do interior também quer consumir cinema, e se eles tiverem acesso aos filmes, eles vão consumir.

Existe SIM mercado além das leis de incentivo, principalmente para aqueles que querem dar um passo a frente em direção a industrialização do nosso cinema. Com uma indústria autossuficiente, TODO MUNDO GANHA. Teremos filmes blockbusters nacionais que bancariam o cinema alternativo, de nicho, sendo levado via fibra ótica, cabo ou satélite para todos os cantos do país.

 

Pense fora da caixa. empreenda. Pense em como seu filme pode gerar mais riqueza do que consome e você estará realmente fomentando o mercado audiovisual brasileiro.

 

 

 

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