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Por que J.K Rowling é uma boa escritora Mas não roteirista?

26.11.2018

 

Recentemente pude pegar em minhas mãos um livro chamado Animais Fantásticos e Onde Habitam, uma versão do roteiro para as livrarias traduzido em português. Esta é a primeira empreitada de J.K. como roteirista, fato este que foi anunciado em vários sites de cultura pop e logo a fandom se levantou favorável, quem melhor para entender um universo que o seu criador?!

 

Então, eis que eu tenho o roteiro finalizado escrito pela J.K. em minhas mãos, e finalmente conferiria se ela é tão boa roteirista como escritora, e para minha decepção vejo vários vícios de escrita logo na primeira pagina, hoje vou falar porque a autora da saga do bruxinho é uma boa escritora, mas não roteirista, por enquanto.

 

Vejo muitas publicações no meu feed de pessoas que dizem ser escritores e que querem transformar seus romances em roteiro, meu primeiro impulso é incentiva-los a escrever sozinho e não contratar outro para abocanhar dos seus ganhos. Pode ser algo mesquinho, mas se fosse o meu caso eu gostaria de ter o lucro maior, de assumir riscos e depender unicamente do meu esforço, o verdadeiro pensamento empreendedor. Todavia noto uma grande dificuldade destes romancistas para adaptar seus textos, e entendo o porquê disto, são os vícios literários.

 

O vicio literário consiste simplesmente em escrever tudo em formato de prosa, usando clichês da escrita, transformando tudo em romance. E isto não cabe ao roteirismo. Roteiro e livros possuem muitas diferenças, livro é produto, roteiro não é, livros são íntimos, roteiro é audiovisual. Em um capítulo do famoso guia de Syd Field, Manual do Roteiro, o guru do cinema nos ensina a adaptar obras, e um trecho que me marcou ele  diz que a fonte é uma coisa, o que você faz com ela é por sua conta, simplesmente botando uma linha entre a adaptação e o material original.

 

Então voltamos a J.K.

Para quem, como eu, leu os livros da saga Harry Potter nota a evolução da escritora, basta comparar o primeiro livro finíssimo com o sexto, o maior da série, o primeiro é simples e direto ao ponto, raros momentos ele aprofundasse nos personagens, algo que é consertado durante a saga, transformando personagens de uma literatura infantil em personagens tridimensionais, com seus medos e arrependimentos, pegue como exemplo o professor Severo Snape, que começou como um personagem amargo e terminou como um dos personagens mais amados dos fãs, por seu desenvolvimento continuo que teve seu ápice no final da estória.

 

Contudo, quando analisamos a J.K. Rowling roteirista seus méritos caem por terra. Logo na primeira pagina vejo coisas que o própria Syd Field há quase 40 anos criticara. Alguns escritores dificilmente conseguem adequar-se ao estilo de escrita audiovisual, que é visado em exteriorizar sentimentos, a maioria deles focam-se apenas na imagem, dando indicações de movimento para câmera, simplesmente invadindo a área do Diretor de fotografia, botando pensamentos e expressões que não podem ser traduzidos na atuação. E o que resta? Simplesmente uma cartilha de mandamentos para se executar um filme, tirando toda a liberdade dos profissionais que estarão ali para rodar a obra. Muito provavelmente após ela finalizar o seu corte o roteiro foi repassado a algum roteirista menor para dar correções, creditando assim o nome de maior peso.

 A crítica já adiantou que o segundo filme também sofre de problemas vindos da escrita, como aparição de personagens sem motivo, não investindo na construção deles, o que acaba apenas por fazer uma introdução pobre para alguém que só será desenvolvido no futuros, e ficando por enquanto como um artigo secundário mal explorado.

 

Veja, em muitos roteiros de minha autoria eu sempre deixo alguns espaços para interpretação do ator, não deixando um texto com furos, mas dando a liberdade para que ele componha o personagem, crie sua maneira de falar, seus tiques e incorpore toda a essência deste, a depender do ator e do diretor pode acabar saindo atuações inesquecíveis não antes planejadas.

 

Por fim acredito que a J.K mesmo sendo uma autora espetacular, criadora de um dos maiores best-sellers do século ainda não está preparada para ingressar no cinema como uma roteirista, todavia, isso não exclui a possibilidade dela desenvolver sua escrita, assim como fez nos livros, e brindar-nos futuramente com obras mais redondas e com menos falhas dos que os dois últimos filmes da franquia de sucesso. De natureza igual todos evoluímos, peço para que se lembre daquele seu primeiro roteiro. Deu vergonha dele? A mim também deu vergonha a lembrança, mas sinto que constantemente venho aprimorando meus dotes com as palavras, e todos estão em constante evolução, até os grandes nomes.

 

 

 

 

 

 

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