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The Handmaid’s Tale: Tensão Silenciosa

28.12.2018

 

Neste final de ano tirei o meu tempo para assistir a aclamada série de drama, The Handmaid’s Tale, ou como foi traduzido, O Conto da Aia. A série que é vencedora de um emmy foi uma grata surpresa pra mim que não esperava muito de uma distopia, que já se tornou um gênero saturado no cinema e na TV. Entre seus vários acertos, algo que me chamou atenção no roteiro foi a tensão silenciosa. Hoje vamos discorrer sobre ela.

 

Não vou resumir a trama aqui, mas irei salientar alguns pontos. Offred é a Aia submissa da família Waterford, e está lá para engravidar do comandante e dar-lhes um filho. Sua relação com o casal, seus empregados e algumas outras aias poderia ser facilmente vista como uma relação de submissão, sendo que na hierarquia da série, as mulheres ocupam a parte mais baixa, não podendo exercer opinião, trabalhos ou a fala caso não sejam permitidas.

 

A tensão da série se dá em momentos silenciosos, e se o espectador não estiver atento não irá notar que há um clima pesado nos diálogos que aparentam ser simples. A relação de Offred e de Serena, a esposa do casal Waterford, exemplifica muito bem. As duas podem ser definidas como antagonistas uma da outra, apesar de terem um objetivo em comum, as duas tem uma relação atrita, visto que Serena não se sente à vontade com a aia. O roteiro constrói situações tensas onde o mínimo dito pode ser o suficiente para descarrilhar a situação.

 

Tomando como exemplo, logo no primeiro episódio Offred se apresenta aos seus comandantes, Fred o marido trata-a com respeito, escondendo a sua face pervertida e prepotente, enquanto Serena é fechada e direta ao ponto, querendo impor-se a Aia, ocultando sua fraqueza aparente, que é a de não poder gerar filhos.  No primeiro dialogo ela já demonstra seu desconforto pela a atitude vassala da Aia. June ao ser renomeada Offred se torna propriedade do comandante, por isso o nome dele após o Of, enquanto Serena para impor-se a ela direciona sua maneira de chama-la. Apesar de ser um dialogo curto e simples, percebemos que June é a posição de menor escala dentro daquela sala, o seu tom e sua dicção demonstram isso, além do mais estamos cientes que se ela contrariar qualquer que seja a fala de seus comandantes ela terá uma punição física.

 

A série continua neste mesmo tom, com conversa pouco expositivas, coincidentemente ela pode se encaixar como uma crítica ao gênero da telenovela brasileira, que abusa dos diálogos expositivos. A trama não subestima a capacidade intelectual de seu telespectador, e mesmo com pequenas agressões floreadas dentro de frases rebuscadas notamos toda a tensão que permeia a cena, basta notar que raramente uma musica de fundo está tocando, o silencio entre a fala de um para o outro é suficiente para criar uma ansiedade em nós, que sentimos aflitos pela a resposta, que pode ser tanto violenta quanto sufocante.

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