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Escrevendo pra TV | Entrevista com Gustavo Martins pt.1

23.07.2019

 

Gustavo Martins é um roteirista de televisão, tendo escrito diversos programas de humor consagrados pelo tempo, entre eles clássicos da MTV Brasil, como o Comédia MTV e o Furo MTV, além dos atuais talkshows humorísticos da televisão brasileiro, escrevendo inclusive para dois líderes de audiência, The Noite com Danilo Gentili e Programa Porchat. Entrevistei ele e pedi para que falasse um pouco desse mercado de televisão que pouco ouvimos e comentamos, fiquem com a entrevista.

 

Bom dia Gustavo, antes de começarmos queria agradecer por aceitar o nosso convite para essa entrevista.


Eu que agradeço!


Então vamos falar de você, conte um pouquinho da sua vida. De onde veio a vocação para ser escritor de TV? Você sempre quis isso?


Na verdade, não. Eu trabalhei como jornalista, me formei em jornalismo e trabalhava no Portal UOL, e uma conhecida minha fazia parte de uma produtora e eles estavam precisando de um roteirista para um programa do Multishow, chamado Edgard no Ar. Seria uma nova versão do programa do Edgard Piccoli, antigamente chamado de Circo do Edgard e eles queriam reformular o programa e estavam precisando de um roteirista. Era um programa que envolvia música e humor. Eu nunca tinha trabalhado como roteirista, mas ela sabia que as suas duas áreas e de meu interesse e ela me perguntou se eu estava interessado em fazer um teste. Então eu pedi um roteiro, que eu não tinha escrito um, pedi para ver como era. 


Aí com esse teste eu fui chamado, e comecei a trabalhar e foi emendando um projeto no outro, foi em 2009, então eu me beneficiei porque era uma época boa pra se entrar nesta área, não tão estabelecida como hoje, mas as produções nacionais estavam acontecendo mais, a lei de incentivo nacional, a economia boa também colaboraram pra isso. Enfim, eu consegui emendando uma coisa na outra dentro deste mercado, mas eu nem tinha pensando antes em ser roteirista. Eu era jornalista, nem considerava isto uma opção, todavia, como percebi que era algo que eu gostava de fazer, mais que jornalista, continue trabalhando.


Você atua como roteirista de TV há muito tempo, com passagens notáveis em alguns programas. Poderia explicar para nós como é este mercado?


Eu posso falar um pouco da minha experiencia. Eu entrei em 2009, o mercado se desenvolve muito de lá pra cá, contudo, naquela época eu acho que existia uma escassez de roteirista, e eu acabei me beneficiando disso, principalmente no humor, coincidindo um pouco com o estabelecimento do standup no Brasil, o CQC (Custe Que Custar), junto com as iniciativas de conteúdo nacional nas TV por assinatura. 


Isso tudo colaborou pra uma expansão de um mercado enorme, precisava-se de conteúdo, e havia muita gente sem experiencia, assim como eu, então começou a formar-se um mercado. Era um momento muito bom pra se entrar na área, hoje também é, pra entrar em um mercado mais estabelecido, a concorrência era muito menor que hoje. Atualmente temos muitos cursos e gente interessada. Mas era uma coisa que dependia de qualidade do trabalho, networking e as oportunidades que aparecem. Eu consegui ser um pouco flexível, eu usei um pouco da experiencia que eu tinha antes como jornalista, pra atuar inicialmente com documentários, como programas para o Discovery Channel e para o History. E a experiencia que eu tive com entrevistas me ajudou com programas de variedades, como talkshows, sendo que desde 2010 trabalhei no Formigueiro (Band), ao qual não durou muito, contudo foi uma boa experiencia pra eu me adaptar a este formato. Por exemplo, em 2011 eu trabalhei no Furo MTV que misturava telejornal com humor, então a minha experiencia como jornalista, de saber escrever uma pauta, organizar as informações dessa forma foi útil pra mim também.


Eu acho que é um mercado em que você deve se mostrar como um roteirista responsável, que entrega tudo dentro dos prazos, eu usei essas habilidades vindas da época da faculdade ao meu favor. Quando projetos apareciam com o meu perfil, eu ia atrás pra fazer e me esforçava para entregar um bom produto, escrevendo com capricho, me preocupando com a gramatica – tem gente que se preocupa com isto – trabalhando com profissionalismo, sabendo lidar bem com os outros. Estes requisitos o mercado não mudou. Mesmo que o mercado hoje não esteja tão bom, com a economia fragilizada. Mesmo assim, cada momento apresenta suas vantagens e desvantagens, hoje temos mais acesso a informações, temos cursos profissionalizantes. Dá pra se preparar melhor do que ter de trabalhar tão “verde” como eu comecei.


Vejo bastante gente que veio do jornalismo para o roteiro, bom você pontuar isto. Apesar de já ter uma experiencia vinda da faculdade, que erros comuns você cometeu e gostaria de deixar a dica para os iniciantes da área não cometerem também?


Um erro bastante comum, que eu cometi as vezes, é você desconsiderar no planejamento do roteiro as realidades da produção. Várias vezes eu planejava coisas incríveis na minha cabeça, mas no momento eram coisas difíceis de fazer, e com o tempo e a verba que você tinha pra fazer acontecer tinham que ser adaptada as pressas, então o resultado não ficava bom, era menos satisfatório. O tempo que eu estive na MTV foi um bom aprendizado, porque eram orçamentos e prazos muito pequenos, então você aprende a fazer aquilo render, as vezes uma cartolina resolvia muito melhor que uma animação em 3D.


Outra coisa é preciosismo que você tem com uma ideia, tipo uma piada, uma cena ou qualquer coisa que você tem que brigar por ela. Acho que você nunca pode perder de vista que a TV é um trabalho coletivo, como o cinema, audiovisual no geral, é tudo muito coletivo. Principalmente quando você está começando, raramente estará numa posição de diretor, ou que o projeto é todo seu. Tenha sempre em mente que você é uma parte de um todo, é tão seu quanto da produção, direção,  do cliente, canal. É preciso entender sua posição para fazer sua melhor contribuição pra aquele projeto sair o melhor possível, as vezes a melhor decisão que tu irá tomar não é a melhor em um mundo ideal, mas sim para aquela realidade. E está é a melhor decisão! Está é uma realidade que já custou o trabalho de muitas pessoas, digo, não entender essa dinâmica de coletividade.
É difícil você fazer esta transição de escrita solitária para um trabalho conjunto, mas quando tu consegues dar este salto tudo começa a fluir melhor.

 

...

 

No próximo artigo do blog veremos a continuação da entrevista, onde nosso entrevistado fala da sua experiencia trabalhando com o The Noite e o Programa do Porchat. Abaixo segue o link para o RoLeRo Podcast, o podcast de Gustavo Martins.
RoLeRo: http://rolero.com.br

 

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