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Escrevendo para The Noite e Porchat | Entrevista com Gustavo Martins pt.2

24.07.2019

 

Este artigo aqui é a continuação de outro que fiz no blog, aqui retornarei a entrevista que fiz com Gustavo Martins, roteirista de TV desde 2009, que escreveu para programas como Furo MTV, Comédia MTV, Edgard no Ar, e os que serão citados aqui, The Noite com Danilo Gentili e Programa do Porchat. 


Veja a primeira parte clicando aqui.


E agora a continuação:
 

Como foi trabalhar para o The Noite e o Programa do Porchat? Dois dos maiores talkshows da TV brasileira.


Foram duas experiencias muito boas que eu tive sorte em entrar. Eu comecei a trabalhar com o Gentili no Agora é Tarde (Band) e fui chamado por já ter trabalhado com parte da equipe no Formigueiro (Band) do Marco Luque. As vezes um projeto que não dura muito pode render coisas para o futuro. Tentar se envolver com a maior quantidade de trabalhos e profissionais possível. Em 2012 fui chamado para trabalhar no Agora é Tarde, foi bom porque o programa já havia um semestre de vida, então já estava se estabelecendo. Também tinha o Jô Soares como medida a certo tempo, mas o Jô seguia um modelo mais clássico. Lá no Agora é Tarde, o Danilo gostava de coisas mais modernas, tipo Conan O’Brien, coisas mais absurdas, monólogos, de adições de esquetes e quadros de humor além da entrevista.

 

 
Foi onde eu conheci muitas dessas referencias, onde me interessei e acabei trabalhando com isso por bastante tempo era um ambiente muito bom, podia se experimentar muito, e era empolgante tanto como o apresentador estar envolvido em todo projeto. Ele era bem famoso, não como hoje, que faz filmes, séries, participações, etc. Tinha um ‘quê’ de rebelde, lá na Bandeirantes não tínhamos muita supervisão. Foi um período bem legal.
Depois eu fui junto para o SBT, onde nos reinventamos, mudamos o nome, repensamos cenário, e havia todo um aporte maior, com estrutura e equipes maximizadas. Não mudamos o formato, todavia, era uma nova situação, mesmo com o elenco antigo.

 


Em 2016 eu fui para o Programa do Porchat (Record), de novo tive a sorte de participar desde a concepção de um programa. Entre essas duas experiencias (The Noite e Programa do Porchat) elaborei também o Multi Tom(Multishow), o programa do tom Calvacante. E depois fui para o Porchat, essas foram experiencias muito boas de participar da elaboração, pensar os quadros que ele vai ter, como vai ser o elenco – Você pensa um pouco sobre tudo.


O Porchat também é um cara bem envolvido com as coisas, ele possui outro tipo de postura, humor, fala, mas também bebe dessas referencias americanas, juntamente com a experiencia vinda das esquetes. Foi lá que eu comecei a trabalhar como chefe de roteiro, e é algo totalmente diferente, você tem de organizar uma máquina tão grande como esta. Assistindo você não tem a noção do trabalho, mas é um programa de uma hora com muitos quadros, entrevistados a todo momento, musicais. Montar um programa desse todo dia é um verdadeiro quebra-cabeça. Foi um desafio de aprender a se organizar, acompanhar tudo e manter um programa coerente. É um desafio grande.

 

Tem algum trabalho que você não curtiu ou se sentiu insatisfeito com o resultado?
 

Todo trabalho tem momentos frustrantes, mas é uma questão de saber se pelo menos você está aprendendo alguma coisa. Óbvio que ninguém é obrigado a aturar condições abusivas de trabalho, mas eu sigo esse critério, então raramente acontece de “não curtir” fazer algo - quando noto que não tenho mais nada pra aprender/crescer ali, eu começo a me mexer pra encontrar outra coisa e saio, sem mágoas. 
Sobre ficar insatisfeito com o resultado, isso acontece também, mas é indelicado citar exemplos, até porque é um trabalho coletivo e raramente a culpa/mérito é de uma pessoa só. Por outro lado, com o tempo você percebe que isso também tem seu valor - você ao menos aprende que certas coisas não funcionam em determinadas situações. (risos)

 

Você tem um podcast, o RoLeRo, poderia falar um pouco sobre ele?
 

O RoLeRo podcast foi uma ideia que eu já tive a um certo tempo, que surgiu da minha impressão que os roteiristas dialogavam pouco entre si. Você só tinha experiencia de quem você trabalhava diretamente, não tinha muito com quem conversar, era tudo meio fechado. Então tive essa ideia de fazer um podcast entrevistando outras pessoas para dividir um pouco sobre este conhecimento, que para mim era um tanto interessante, e seria legal que outras pessoas pudessem ouvir. Também colocamos roteiros pra download (Confira o link do podcast abaixo), roteiros brasileiros e alguns estrangeiros, não só na área de ficção, mas também na área de variedades.
 

No meu caso, comecei a trabalhar porque recebi um roteiro, li, entendi e refleti aquilo na minha escrita, por conta dessa minha experiencia eu tive a ideia de fazer este podcast. Demorou um pouco pra eu ter tempo, um problema que segue até hoje, e só consegui colocar a ideia em pratica apenas em 2018, foram sete episódios, e depois foi mais de um ano para que conseguíssemos tempo pra gravar a segunda temporada.
 

Agora que estamos de mudança pra Los Angeles terei que dar um hiato brevemente, e voltar pra uma terceira temporada quando eu conseguir me estabelecer lá. 
Com o tempo eu e o Embu, um colega meu, enquanto trabalhávamos descobrimos que além das entrevistas, o interessante era ler roteiros – uma coisa que fazemos pouco – muita gente escreve sozinho e não tem essa prática de ler em voz alta, e que acho que é um bom exercício, poucas pessoas o fazem por vergonha. Ouvir a leitura de roteiros me trazia muitas ideias, via o que funciona, o que não funciona. Ler roteiros da audiência nos deu uma injeção de ânimo, e é uma coisa que pretendemos retornar a fazer nas próximas temporadas.

 

Interessante, no site do RoLeRo tem vários exemplos de roteiros incríveis, incluindo os programas já citados aqui, é muito legal que vocês ajudem estes iniciantes que enviam roteiros para vocês. E agora que você falou de Los Angeles, quais são seus projetos atuais e futuros?

 

Meu projeto agora é passar os dois próximos anos estudando roteiro, nesse mestrado do American Film Institute que eu consegui graças à Fulbright (o edital desse ano acabou de fechar, espero que o pessoal tenha tentado!). Minha mulher é roteirista também e nós dois vamos aproveitar esse tempo pra fazer cursos e desenvolver nossos próprios projetos, que é uma coisa que dificilmente você tem tempo de fazer enquanto trabalha direto - ainda mais com a mentoria de gente. Então o grande plano – além de cuidar do neném e dos cachorros – é voltar para o Brasil lá pra 2022 com muitos projetos prontos e afiados pra apresentar pro mercado, além de dividir com as pessoas daqui tudo que aprendermos, seja pelo podcast ou pessoalmente.

 

Muito Obrigado Gustavo, pra finalizar a entrevista, gostaria de deixar algum recado?
 

Só para as pessoas se inscreverem no RoLeRo Podcast mesmo: http://rolero.com.br


Peço que tenham paciência com as atualizações, que vão ter a periodicidade meio afetada com a minha mudança, mas já tem bastante conteúdo legal nos episódios passados pra ouvir - e com qualidade boa de áudio, uma preocupação que eu trouxe dos meus tempos de banda de rock. (risos)
 

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