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Aku no Hana e o Suspense Psicológico

04.11.2019

 

Talvez o subgênero que eu mais aprecie seja o suspense psicológico, uma forma de encapsular tramas mais complexas e que tratem de assuntos considerados pesados ou tabu, um verdadeiro circo da degradação individual das personas de nossa história. E uma obra que retrata isso perfeitamente é o mangá de Shūzō Oshimi, As Flores do Mal (Aku no Hana), vamos aprofundar um pouco nela?


O começo de Aku no Hana pode ser brando e até tedioso, mas as coisas se complicam rapidamente, acompanhamos o protagonista, um jovem em início da puberdade fazendo o Ensino Fundamental (na perspectiva brasileira), ele é quieto, ofuscado e sem personalidade, a única coisa que o faz pensar ser diferente é seu gosto por literatura erudita, sendo seu livro preferido As Flores do Mal, de Baudelaire.


Antes de prosseguirmos, vamos contextualizar o cenário, claramente tudo se passa no Japão, um país que apesar de ser avançado tecnologicamente é altamente conservador e patriarcal, isso afeta a vida dos cidadãos de formas diferentes, os mais conformistas vivem uma vida normal de assalariado, aqueles que não conseguem se encaixar quase sempre são vítimas de doenças psicológicas e isolamento exterior, alguns as vezes chegando ao extremo do suicídio ou o fanatismo e a degradação moral, vide o documentário  Tokyo Idols na Netflix.


Retornando a Aku no Hana. Kasuga (Protagonista) se encontra em uma situação delicada, ele após a aula encontra a roupa de ginastica de uma colega, e instintivamente pega-as e leva embora, só posteriormente ele perceberá como seu ato pode ser considerado pervertido, e para sua desgraça, ele foi visto por outra colega. Sawa Nakamura, uma garota igualmente introvertida, contudo com uma personalidade mais rebelde vê o ocorrido e resolve extorquir nosso protagonista com um contrato em troca de sua discrição.


Adiante, Nakamura usando-se de Kasuga o instiga a entrar em situações cada vez mais deploráveis, confrontando-o diretamente se ele é um moralmente degenerado ou apenas um medíocre. Como descrito acima, numa sociedade japonesa este tipo de comportamento é considerado repulsivo, isto faz com que o personagem comece a se questionar mais intensivamente e a repensar seus próprios conceitos.


Do ponto de vista narrativo, o mangá é considerado um drama, tendo como subgênero o suspense psicológico. Não há grandes ações, lutas que decidirá o destino do universo, nem mesmo morte de personagens. O conflito é interno. E esta é a proposta do subgênero, ele coloca seus personagens em situações que exigem decisões morais mais densas e complicadas, suas escolhas não afetaram apenas seu destino e o rumo da história, mas também o caráter do personagem.


 Alguns filmes fazem isso em menor ou maior escala, decisões como a de assassinar a própria esposa por um pecado ocorrido, ou abandonar a sanidade em prol do anarquismo são basicamente decisões éticas, eles guiam o comportamento e humanizam o personagem.
 

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